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sexta-feira, 5 de agosto de 2022

MORRERAM JÔ SOARES

 

Peço perdão pelo erro gramático do título, mas é impossível falar de Jô Soares no singular. Simplesmente porque ele não era único, era vários em um só. Um artista multifacetado, culturalmente brilhante, uma mente privilegiada e que nunca, nunca cansava de aprender e a buscar novos conhecimentos e se aventurar em novos desafios.

Foto: divulgação Globo

José Eugênio Soares já começou contrariando a vida ao não ter o apelido de “Zé”, “Zeca”, mas de “Jô”. E, assim, carinhosamente sempre foi chamado e amado por todos. Confesso que aprendi a gostar de humor e da arte de representar assistindo, desde criança (e aí já entrego um pouco da idade) aos programas em que ele participava. Juntamente com “Os trapalhões” e o mestre Chico Anysio, Jô construiu sua história entre os grandes nomes do humor.

Lembro de ainda pequeno assistir aos programas “Balança, mas não cai”, “Planeta dos Homens” (quem não lembra do macaco descascando a banana e saindo uma linda mulher); “A Praça é nossa” entre tantos outros que acabaram posteriormente, a render um programa exclusivo ao nosso “gordinho”, como “Viva o Gordo”. E eu como gordinho, me identificava com seus personagens e seus bordões.

Mesmo quem não tenha vivido na época vai lembrar, ou já ter visto pelo youtube bordões como “Põe ponta, Telê”, “Marilza, eu tô aqui”; “vice, não fala”; “muy amigo”; “tem pai que é cego!!”; “é o meu jeitinho”; “sois rei, sois rei!!!”... nossa, tantas lembranças agora me vêm à mente que até emociono ao escrever. Agora lembrei da sátira que ele fazia aos programas políticos da época que eram milimetricamente coordenados pela ditadura militar e que cortavam o candidato quando ele falava além do tempo ou então quando ia falar algo que contrariasse os interesses da época. Simplesmente hilário.

Portanto, não podemos deixar de reverenciar e a amar JÔ SOARES. Ele, juntamente com tantos outros humoristas deveriam ser reverenciados por seu carisma, por nos jogar na cara os nossos vícios e de quebra nos fazer rir. Por lutar pela democracia, por falar a verdade sem agredir ou ofender ninguém, pois o humor era construído com sabedoria, inteligência e, principalmente, criatividade sem apelações.

Teria tanto mais para falar, mas farei agora apenas um resumo do que foi a vida deste grande artista, jornalista, apresentador ao nosso país. Um país que perdeu um diplomata (sim  Jô chegou a estudar na Suíça e falava fluentemente cinco idiomas), mas ganhamos um mestre do humor por excelência.

Histórico

Jô fez sua estreia na televisão em 1956 no elenco da "Praça da Alegria", na Record TV, onde ficou por aproximadamente 10 anos. Já em 1958, interpretou um americano no filme "O Homem de Sputinik", dirigido por Carlos Manga e estrelado por Oscarito. No mesmo ano, escrevia para um programa da TV Continental chamado "TV Mistério”, que tinha no elenco Paulo Autran e Tônia Carreiro.

Fez outros programas na Record. Além de escrever o "Simonetti Show", atuava em outros como "Jô Show", "Show do Dia 7" , "Você é o Detetive" e "A Família Trapo", série que escrevia com Carlos Alberto de Nóbrega. Em 1965 ele protagonizou a única novela da sua carreira, a "Ceará contra 007" (Record TV), a comédia de maior audiência no Brasil na época.

Na TV Globo seu primeiro humorístico foi em 1970, com o "Faça Humor, Não Faça Guerra", que virou um marco com piadas curtas e cortes secos. Jô Soares interpretava, entre outros, o Bêbado, o professor Gengir Khan, o Irmão Thomas, Manchetão e, um dos seus maiores sucessos, a espevitada Norminha, uma jovem cantora hippie.

Três anos depois, o programa foi substituído pelo "Satiricom", em que Jô também trabalhava como ator e redator. Depois, ele passou a integrar a equipe do "Planeta dos Homens", que ficou no ar entre 1976 e 1982. Jô deixou o programa em 1981, para fazer sua primeira empreitada solo: "Viva o Gordo".

No "Viva o Gordo", Jô viveu personagens icônicos, como o Reizinho, que satirizava a situação política do país, e o Capitão Gay, super-herói que usava um uniforme rosa. Ao mesmo tempo, ele apresentava um quadro no Jornal da Globo.

Em 1987 Jô surpreendeu o Brasil saindo da Globo e indo ao SBT para poder realizar seu grande desejo: o de ter um programa em formato de entrevistas. Chegou até a fazer um programa de humor, mas não deu muito certo. Mas o “Jô Soares Onze e meia” e o bordão “Não vá pra cama sem ele” fez muito sucesso e, enquanto esteve no ar até 1999 chegou a marca de 6 mil entrevistas realizadas.

Com o casamento desfeito no SBT, retornou à “vênus platinada” em 2000 com o “programa do Jô e seu sexteto, onde permaneceu até 2016 com enorme sucesso. Uma das grandes lembranças foi na primeira semana de programa quando levou ao ar a icônica entrevista com Hebe Camargo, Lolita Rodrigues e Nair Belo.

Jô também se aventurou na literatura e escreveu livros como “O Xangô de Baker Street”, “O homem que matou Getulio Vargas”, “Assassinatos na Academia de Letras” e “As Esganadas”. Jô também escreveu para teatro (eu encenei um esquete escrito por ele intitulado “O Flagrante”), entre outras. Também dirigiu várias peças de teatro, incluindo o seu grande amigo Juca de Oliveira. 

Fica seu legado, sua história. Morreram hoje vários Jô Soares dentro de mim. Deus te abençoe!

 

 

terça-feira, 25 de maio de 2021

Os números às vezes incomodam e nos fazem pensar e questionar

 

Não sei vocês, mas quando vejo diariamente na televisão os números da vacinação no país tem alguns que me incomodam por demais. Especialmente por ter participado alguns dias como voluntário nas campanhas de vacinação e ter ajudado na imunização de milhares de porto-velhenses e, no dia seguinte, ser surpreendido com os números de vacinação em Rondônia não apresentarem aumento significativo, mesmo os registros estando sendo feitos on-line.

E isso me fez refletir e a ir em busca de respostas. Rondônia, segundo o IBGE tem uma população de 1.562.469 pessoas pelo censo de 2010 e está estimada em 1.796.460 em 2020. A capital Porto Velho responde por 30% da população sendo que em 2010 apresentou o número de 428.527 e está estimada em 2020, 539.354.

Apresentado os números básicos populacionais quero apresentar os números de doses de vacina recebidas em Rondônia e distribuídas aos 52 municípios para que apliquem no braço da população criando a imunização a este vírus destruidor.

No entanto, o que constatei através do site disponibilizado para dar transparência ao processo, e que pode ser pesquisado e verificado por qualquer cidadão disposto a acompanhar a vacinação em seu Estado, são números que me entristecem, pois se verifica que muitos municípios tem estocado muito mais vacina do que as aplicadas.

A capital Porto Velho que está em plena imunização da população com uma estratégia muito bem elaborada, seja para dose 1 quanto a 2, pelo site, recebeu 170.440 doses de imunizantes, até o momento (seja da coronavac, astrazeneca ou Pfizzer) e aplicou 86.278 dose 1 e 43.988 dose 2, tendo ainda 40.178 vacinas a serem aplicadas conforme orientações do Ministério da Saúde e que está realizando cadastramento da população através do aplicativo Sasi, que pode ser baixado para seu computador ou celular nas lojas de Apps tanto para IOS quanto Android.

Mas temos municípios grandes do Estado que receberam muita vacina e não estão aplicando. Reforço, estou me guiando pelo site consultado e se os números forem diferentes desses que procurem atualizar (a consulta foi realizada na manhã do dia 25 de maio). Ji-Paraná recebeu 43.774 doses e aplicou apenas 4.598 de dose 1 e 2.576 de dose 2, restando em estoque 36.600. Isso é estarrecedor, pois “algo de errado não está certo”. Ou a cidade não tem idosos e pessoas com comorbidade, ou estas não estão querendo vacinar e se faz necessário campanhas de chamamento e esclarecimentos, ou ainda pior, os municípios não estão registrando as doses aplicadas de forma correta.

Ariquemes recebeu 27.977 e aplicou 10.826 doses 1 e apenas 3.295 da dose 2, tendo em estoque 13.856, o que representa quase 50% das doses que não foram aplicadas; Cacoal, respectivamente recebeu 33.845 e vacinou 21.155 da 1ª dose e 7.798 da 2ª dose, tendo em estoque 4.892 (14% de estoque); Vilhena recebeu 29.309 e aplicou 13.399 e 6.529 tendo 9.381 de estoque (32%).

Da mesma forma temos outros municípios como Guajará-Mirim, Alto Paraíso, Chupinguaia (que apresenta um percentual de mais de 55% de vacinas não aplicadas); Rolim de Moura (46%), Jaru (apenas 7%) e Alvorada do Oeste (29%).

Convido a todos os cidadãos a cobrarem do seu município a imunização e aos meus colegas jornalistas a questionarem as secretarias municipais os motivos pelos quais estão estocando tanta vacina. Estão com receio de faltar vacina para a 2ª dose? Faltam insumos como seringas? Faltam vacinadores? Que sejam verificados se estes números efetivamente conferem com a realidade e que estas doses efetivamente sirvam para imunizar a quem de direito.

sexta-feira, 19 de março de 2021

Até onde vai a queda de braço entre governo e público

 

Lembro de março de 2020 quando iniciamos a quarentena para conter o avanço do coronavírus no país. Em Rondônia, mais especificamente, onde ainda desconhecíamos o poder destrutivo deste inimigo invisível, a grande parte da população obedecia as diretrizes sanitárias, permanecendo em casa, usando máscara, protegendo idosos, não aglomerando em festas, bares e similares fechados. Mas e agora, o que mudou?

Mudou que as pessoas até pouco tempo atrás, com o vírus relativamente controlado, se acharam livres e imunes ao vírus e se alvoroçaram saindo de suas tocas e dando início a grandes aglomerações em bares, festas públicas e particulares, parques, praias, shoppings.

Enquanto número de mortos só aumenta,
população continua aglomerando
 em espaços públicos e sem proteção...

Enfim, simplesmente cansaram de se cuidar e a pressão do marketing e do comércio para que tudo fosse reaberto acabamos por dar um passo maior do que as pernas e acabamos na situação em que nos encontramos.

Não, não sou a favor de lockdown geral por acreditar que não resolverá a totalidade, mas sim sou a favor de um controle e fiscalização maior. A questão não é o comércio abrir, mas sim, a grande movimentação de pessoas que provoca para que tudo funcione, o que provoca aglomerações nos transportes públicos, por exemplo.

Hoje muitos comércios nem oferecem mais álcool em gel. Tapetes sanitizantes ninguém nem lembra mais que existe. A hipocrisia maior está nos aeroportos, onde somos obrigados a manter distanciamento nas filas de acesso às aeronaves, mas dentro dos aviões a aglomeração é geral, não há distanciamento de pelo menos aquela cadeirinha do meio ser deixada vazia.

E com isso chegamos a números assustadores de transmissões e mortes. O pior ainda está por vir devido a superlotação dos hospitais, tanto públicos quanto privados. Muita gente vai morrer sem assistência médica adequada. Por este motivo, a prevenção ainda é o melhor remédio.

Não há necessidade de “chover no molhado” e mandar usar máscara, usar álcool em gel (se bem que prefiro muito mais uma mão bem lavada com sabão do que usar o álcool) entre outras atitudes como não chamar amigos para comemorar o aniversário (mesmo que em sua casa), não reunir a galera no sítio, não compartilhar narguilé, chimarrão e tererê. São atitudes simples que combatem o vírus. Os especialista dizem que ele é vagabundo, morre com facilidade, mas quando infecta é muito perigoso, e com as aglomerações ele se fortalece através das mutações. Por isso é necessário mais do que ações do poder público, mas de cada um em evitar estes contágios.

Se tudo isso ainda não é suficiente pra você, aviso que as funerárias não estão dando conta do recado. Sim, está na iminência de faltar caixões para enterros. Os cemitérios estão superlotados. Mas se mesmo assim você insiste, boa sorte!

Por último, vou só expor alguns números. Desde que iniciou a pandemia já tivemos em Rondônia 170.515 casos, com 3.519 mortes. São quase 4 mil rondonienses que deixaram filhos, netos, tios, avós, muito tristes, desconsolados. Dentre estes muitas famílias foram desfeitas. Filhos ficaram órfãos, literalmente sem pai e sem mãe. E você está cansado de ficar em casa? Não aguenta mais? Eu também, mas prefiro me afastar de amigos, familiares do que ser afastado definitivamente e ficar isolado em uma UTI, intubado, inconsciente, ou sob sete palmos de terra. E você?

 

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2021

Se o discurso da esquerda não mudar, Bolsonaro tem sérias chances de reeleger sim

 

Meus amigos, havia me prometido não escrever sobre política em minhas colunas e observações, até para me resguardar, tendo em vista que não sou um analista. No entanto, somos seres movidos a política e observando fatos de um passado recente e atuais, a escrita foi inevitável.

Lembro que Lula, por exemplo, tentou a presidência do Brasil por quatro vezes. Nas três primeiras não obteve sucesso. Por quê? Pois era um homem raivoso da esquerda, lutando contra “tudo isso que aí está”, sem, no entanto, apresentar uma proposta, uma ideia de país melhor.

Eis que surge Duda Mendonça em sua vida e propõe (isso na quarta eleição) uma reformulação. Não só da pessoa do Lula, mas do partido em si. O discurso muda para tons mais suaves. O então candidato repagina o visual e começa a apresentar propostas para o país entre elas reforma administrativa, previdenciária, financeira, acabar com a corrupção e com “tudo o que está aí”.

Pois bem, deu certo! O povo brasileiro comprou a ideia mais moderada. Enquanto presidente melhorou muita coisa. No entanto, as reformas tão propaladas nunca, nuca saíram do papel, pois vendeu o governo ao “centrão” e teve de lotear o governo para poder governar. E adeus reformas e dá-lhe corrupção” Que não vou entrar no mérito para não “chover no molhado”.

Pois bem. Tudo até andava bem, até que surge um cara que resolveu “peitar” o que estava estabelecido, sendo “contrário a tudo o que estava acontecendo” com o país e falando aquilo que o povo brasileiro queria e precisava ouvir. Um novo país, sem corrupção, salvar a Petrobras, as famílias, acabar com o politicamente correto etc, etc, etc...E assim aconteceu.

Dois anos após sua eleição, Bolsonaro para poder governar vende sua alma ao “centrão” também. E pela sua língua afiada acaba por falar coisas que um presidente jamais deveria expor em público (“eles querem a nossa hemorróida”, só para ficar em um exemplo) e não está conseguindo fazer as reformas tão propaladas.

Agora chego ao ponto que desejo para expor minha teoria. A classe média e pobre está sofrendo demais com a pandemia (perda de renda, empregos e inflação mascarada) e começa a se insurgir contra seu líder a quem confiaram.

A esquerda vocifera, mas, no entanto, não apresenta uma proposta de mudança. Uma alternativa sequer que se possa vislumbrar como salvadora.  São “apenas” contra o Bolsonaro. Isso não basta para atrair olhares e votos em 2022. É preciso mais. É preciso reflexão e a construção urgente em cima de um nome de um discurso moderador e que possa ser visto como alternativa a “tudo isso que está aí”.

Quem não lembra do nosso ministro da economia afirmando em rede nacional que se o dólar chegasse a R$ 5 “algo de muito errado estaria sendo feito”. Pois bem, está batendo às portas dos R$ 6 e ninguém se insurge contra isso? Um quilo de carne custar R$ 40? Gasolina a R$5 o litro? Mas quando era “somente” um deputado o Bolsonaro soube fazer discurso demagógico criticando a política de preços da Petrobras (tenho o vídeo para provar), mas quando assumiu jamais fez algo para mudar.

Enfim, se os contrários a tudo isso que está aí não se unirem em torno de algum nome e não construírem um discurso plausível, uma proposta de mudança para o país, pode esquecer. Bolsonaro será reeleito. Vocês têm 18 meses para isso senhores.  

sexta-feira, 22 de janeiro de 2021

O beijo da morte completa oito anos de impunidade

 

No dia 27 de janeiro de 2013 ocorria uma das maiores tragédias já vistas no Brasil. O incêndio da Boate Kiss, na cidade de Santa Maria (RS) completa, neste ano, 8 anos de impunidade. Naquela noite de janeiro, jovens universitários comemoravam o acesso ao ensino superior em uma festa na boate quando um integrante da banda que animava o evento fez uso de fogos de artifício fazendo com que o  isolamento feito de espuma pegasse fogo, provocando pânico e tumulto e que acabou por matar por asfixia (direta no local e muitos posteriormente) 242 jovens e deixando outros 636 feridos.

Prédio da Kiss deve dar lugar a memorial
Foto: Geovani Berno

Mas, após oito anos de impunidade, os julgamento terão início em fevereiro, apesar do Ministério Público do Rio Grande do Sul ter entrado com pedido de adiamento para que todos os réus fossem julgados no mesmo local e dia. O ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ) Rogerio Schietti Cruz negou os pedidos e um dos quatro réus acusados pelas mortes no incêndio da Boate Kiss, será julgado em data destoante dos outros três. O MP Gaúcho alegava que ao se dividir os julgamentos poderia ocorrer decisões divergentes.

Segundo o Jornal do Comércio, com a decisão, o julgamento de Luciano Bonilha Leão, o único réu que não pediu a transferência de local e será julgado em Santa Maria, deverá ser realizado no próximo dia 16.O Tribunal de Justiça gaúcho determinou que Mauro Londero Hoffmann e Marcelo de Jesus dos Santos serão julgados com Elissandro Callegaro Spohr em data ainda a ser definida.

O jornal também esclarece que Mauro e Elissandro (sócios da casa noturna) e Marcelo e Luciano (integrantes da banda que apresentou show pirotécnico na noite do incêndio) foram denunciados por homicídio duplamente qualificado (motivo torpe e emprego de meio cruel) por 242 vezes e tentativa do mesmo crime por mais 636 vezes, que é o número de sobreviventes identificados.

O que a população em geral quer e, em especial os familiares de todas as vítimas da Kiss, que seja dado um lenitivo da Justiça, ou seja, que os culpados recebam uma condenação justa, tendo em vista o assassinato em massa que provocaram por negligência. Que a punição seja de forma exemplar para que ações iguais a esta nunca mais se repitam. 

242 famílias esperam por Justiça 

Outro ponto que é necessário ser levantado é a transformação do local onde funcionava a boate Kiss em um memorial. Já há projeto aprovado, mas não há verba. Que as autoridades públicas tenham um pouco de decência e deem a destinação a este ponto de horrores em algo para ser lembrado para sempre, em memória daqueles que se foram de forma tão trágica, sem direito a despedidas e com requintes de crueldade.

quinta-feira, 14 de janeiro de 2021

Todo gestor público deveria andar a pé em sua cidade

 

Voltando a escrever em 2021 após alguns dias de recesso onde fui, com muito cuidado e zelo, visitar minha mãe no Rio Grande do Sul. Mais precisamente em Santa Maria. Sim, aquela da Boate Kiss que ceifou a vida de 241 jovens e os culpados continuam impunes (escreverei oportunamente sobre a tragédia que dia 27 completa 8 anos).

Em referência ao título, como em Santa Maria não existem pistas de caminhadas (até existem em alguns pontos da cidade, mas fechados devido a pandemia) como aqui temos em Porto Velho o Skate Park e o Espaço Alternativo, só para citar os mais famosos e maiores. Com isso, quem deseja praticar o saudável hábito da caminhada necessita se aventurar nas calçadas da cidade.

Assim como Porto Velho, Santa Maria também
foi uma cidade ferroviária

Desta forma, me deparei com uma série de pequenos problemas que a grande maioria das cidades enfrenta, mas que os gestores públicos acabam por deixar pra lá. Mas pelo lado positivo acabamos por ver a cidade com outros olhos e em mais detalhes.

Com as caminhadas redescobri minha cidade (pelo menos a zona mais central por onde caminhei). E percebi que é um problema crônico que nos afeta também que são as calçadas. Ora esburacadas, mal conservadas, ora fora de padrão. Esta situação deixa a desejar em acessibilidade a pessoas com necessidades especiais de locomoção e com problemas de visão. No entanto, perdemos feio em civilidade, pois grande parte dos semáforos e faixas de pedestres são muito bem sinalizados.

Outro problema crônico são os terrenos –poucos é bem verdade – abandonados em áreas nobres da cidade. Mas o que mais me chamou a atenção nesta visita de poucos dias é o descaso com as praças públicas. Quando era criança/jovem as praças eram atrativo para as famílias. Íamos brincar mesmo sem os pais. Desta vez me surpreendi com o abando da manutenção e a ocupação por usuários de drogas que consomem seus baseados natural e despreocupadamente.

Nas caminhadas também percebi a preocupação de parcela consciente da população em se proteger com a utilização de máscara. Pouquíssimas pessoas sem o acessório obrigatório, exceto nos bares e restaurantes.

Outro ponto que merece a atenção é a implantação da Zona Azul, que por estas bandas é tão contestada, e por lá muito utilizada em toda região considerada central. Os pontos de estacionamento foram muito reduzidos, permitindo maior fluidez no trânsito. Nos locais permitidos e com Zona Azul paga-se a partir de 15 minutos. Com isso também cresceu muito os estacionamentos particulares e a utilização do transporte coletivo, taxis e aplicativos, que por ser mais barato que duas horas de estacionamento, por exemplo, acabam por compensar o uso.

Com estes poucos exemplos citados, quero deixar claro que não é uma crítica, mas um pedido aos nossos gestores. Andem por nossa cidade. Conheçam verdadeiramente nossa cidade. Sintam na pele o que a população passa para que se busquem soluções criativas aos problemas mais simples, para que estes não se agravem.

A mobilidade urbana será, juntamente com o problema do lixo, água e saneamento, um dos mais graves problemas a ser enfrentado pelo atual e futuros gestores, tendo em vista que a cidade irá crescer, o número de pessoas circulando será maior e a quantidade de carros também. Portanto, pensar a cidade para os próximos 50 anos (pelo menos) é vital.

Fica então meu apelo para que todos nós caminhemos pela nossa cidade e descubramos a dor e a delícia de viver aqui. Apontar soluções criativas, ajudar na melhoria e na qualidade de vida. Este também é nosso papel. Portanto, caminhemos. E a realidade de sua cidade, como é? Diferente dessa que descrevi?

 

 

sábado, 5 de dezembro de 2020

Por que sou contra um novo lockdown total

Desde que passamos a (con)viver com a ameaça do novo coronavírus, sua rápida transmissão e possível alta taxa de mortalidade, vivemos com a seguida orientação do isolamento e dos cuidados de higiene e uso de máscaras, na tentativa de evitarmos a disseminação do vírus e o contágio de pessoa para pessoa, pois o mesmo se propaga facilmente pelo ar penetrando nas mucosas da boca, nariz e olhos. Vindo da China, o vírus se propagou rapidamente e de endemia se transformou em pandemia atingindo todos os continentes sem distinção de classe, cor, sexo e idade. Digamos que é um vírus democrático, pois não escolhe vítima para sua propagação, apesar da aparente letalidade maior em pessoas idosas e portadoras de doenças crônicas. Desta forma, desde o início da doença, quando se percebeu a sua rápida disseminação, o isolamento social, foi decretado o fechamento de todos os estabelecimentos comerciais, cinemas, teatros, escolas, igrejas, templos religiosos. Famílias foram separadas, avós não podiam (ou tinham de evitar) o contato com netos, abraços foram negados e uma série de restrições impostas. Em muitos lugares o isolamento funcionou e a propagação do vírus e a conseqüente mortalidade foi reduzida. Em outros lugares isso não ocorreu. Por quê? Por uma simples razão: o descumprimento do isolamento e a farta realização de festividades às escondidas. O fechamento de todo o comércio causou sérios prejuízos à economia mundial, com desemprego e tantas outras consequências que ainda não chegaram na totalidade e serão sentidas um pouco mais pra frente.
Crédito: Secom-RO
No entanto, se tivéssemos aprendido a lição do respeito ao distanciamento e do uso correto de todas as medidas de proteção, muitos fechamentos poderiam ser evitados. Mas o homem é desrespeitoso para consigo mesmo e com o próximo. Vejamos. Se ao invés de fechar todo o comércio fosse feito um revezamento de funcionários com todos os controles sanitários que conhecemos hoje, a limitação de pessoas nos estabelecimentos (até porque mercados, farmácias e postos de gasolina não fecharam as portas) e também isolássemos as pessoas de risco elevado, acredito que não estaríamos neste patamar de casos e mortalidades. Um outro fator preponderante para o crescimento vertiginoso no Brasil foi as Eleições. Poucas pessoas falam e tem coragem de falar, mas a campanha contribuiu, e muito, com o crescimento de casos. Tanto que após o fechamento das urnas, muitas cidades retornaram ao isolamento e fechamento de bares, restaurantes, etc. As comemorações de vitórias nas urnas foi um desrespeito a quem cumpre isolamento e distanciamento social, pois escancarou nas redes sociais festas com dezenas de pessoas sem o menor cuidado. As festas com altíssima concentração de jovens não pararam. Os bares (refiro-me especialmente a Porto Velho) estão lotados. E de nada adianta limitar em 50% o número de pessoas, pois se foram as festas é para se divertir e o que mais querem é se abraçar, beijar na boca e ser feliz. Não é isso o que dizem? Pois é, mas também levam o vírus para dentro de suas casas e com isso, a multiplicação exponencial do número de casos. Por estes e mais uma série de fatores, que sou contra um lockdown total, pois não resolverá. Mas sim, sou favorável à restrição seletiva de aglomerações com forte fiscalização policial e também ao toque de recolher às 22h. Ninguém precisa, neste momento, ficar na rua após este horário (salvo a quem trabalha em plantões, por exemplo). Portanto, se as autoridades sanitárias orientarem corretamente e o Executivo ouvir, se poderá sim fechar de forma seletiva e com limitações o comércio e se conseguirá viver e con(viver) neste (argh, odeio este termo, mas vá lá) “novo normal”, que segundo as autoridades japonesas, teremos de aprender a viver por pelo menos mais um ano e meio até que as vacinas estejam totalmente disseminadas e aplicadas na população. O que quero dizer com tudo isso, que não sou um especialista em saúde pública, mas um analista do que vejo e leio. E que não aprendemos ainda viver em sociedade. Que somos egoístas por natureza, daqueles que dizem: “se eu estiver bem o resto que se exploda”! Portanto, amigos, se não formos (re)educados neste sentido de que se eu prejudicar o próximo estou fazendo mal a mim mesmo, nada mudará e não terá lockdown que dê jeito. Portanto, é melhor aprendermos a ter bons hábitos, entender que aglomerações em grandes eventos só serve para matar gente e que precisamos viver assim por um bom tempo e reaprender a sermos sociáveis. E que comecem as críticas...

quinta-feira, 19 de novembro de 2020

Vencendo preconceitos e a obesidade

Para quem me conhece sabe que sou obeso desde a infância. Não lembro de me olhar uma única vez no espelho nestes meus 51 anos e ver uma silhueta esbelta, esguia. Digamos assim, dentro dos padrões normais. E este fato me trouxe muitos dissabores em toda minha vida. Na escola era sempre o último a ser escolhido no time de futebol; nas aulas de educação física o último a concluir os exercícios, as corridas; era o rei dos apelidos como rolha de poço, baleia entre outros mais “carinhosos”; sobre namoradas, nem vou tocar no assunto, pois seria deprimente. Comprar roupas para gordo há 30, 40 anos nem se fale... Com certeza, se tiver algum outro obeso lendo o artigo irá se identificar em muitos pontos. Já chorei muito, me rebelei demais com os apelidos e acabei por me conformar e a conviver com este “sofrimento” chamado obesidade. Mas nem por isso saí por aí atirando em ninguém e nem pensei em bobagens para comigo mesmo. Nestes anos (e que me lembro desde os 8 anos, por aí) lembro de minha mãe me levando a especialistas para tentar regimes milagrosos que me fizessem emagrecer. Até em aula de ginástica olímpica eu fui fazer, mas só ganhei um pouco da agilidade e elasticidade que guardo até hoje, mas o peso continuou. É evidente que já estive em alguns momentos mais gordo, noutros menos gordo. Mas depois que passei os três dígitos (e isso foi lá pelos 15 anos) não lembro de algum dia ter baixado. E assim cheguei a inacreditáveis 147kg. Neste momento percebi que era hora de mudar e consegui com remédios e acompanhamentos chegar próximo dos 100kg novamente, mas sempre que parava o efeito sanfona retornava e o peso ia bater em 125kg rapidinho. E assim foi minha vida. Até que...
Em 2018 após umas férias com a família no sul vi umas fotos e não gostei do que vi. E resolvi que era chegado o momento de uma atitude. Fui controlando a comida, cortando um carboidrato aqui, um refrigerante ali e assim fui parando de engordar e iniciei uma perda e me entusiasmei. E numa pesquisa por receitas saudáveis na net (sim, a internet é uma poderosa ferramenta de coisas boas também) encontrei algo que mudou minha forma de ver e consumir alimentos: a estratégia low carb. Veja que não chamei de dieta, mas de estratégia, pois é uma forma de trabalhar o alimento em seu organismo de uma forma que ele produza menos o hormônio insulina (que injeta reservas em forma de gordura em nosso corpo) e fazendo com que nosso organismo busque nas nossas reservas a energia necessária para manter o motor funcionando. Não vou fazer aqui uma apologia à low carb. Isso deixo para cada um pesquisar e avaliar. Mas o que quero dizer é que a forma de alimentação é saudável, de utilização de alimentos naturais, sem adição de conservantes, de alimentos processados (que são ricos em carboidratos, conservantes e sal). E para que tudo funcione só precisa que você entenda o mecanismo e mude hábitos eliminando a quase totalidade de carboidratos e açúcares, que só nos fazem mal. Se eu não gosto mais de alimentos “ruins”? Amo um pão, arroz, macarronada. Isso não quer dizer que nunca mais irei comer. Faço isso até com certa frequência, mas sempre com parcimônia e retornando para a estratégia low carb imediatamente. E foi assim, sem grandes sacrifícios, comendo super bem e de forma correta e equilibrada que saí de 127kg em 2018 e cheguei aos 99,8 kg (sim, venci os três dígitos) em novembro de 2020. Foi muito tempo? Não, fiz de forma suave, sem tropeços, sem desistir no meio do caminho. E lembro que tivemos uma pandemia e que fui obrigado a abandonas a academia e mesmo as caminhadas ficaram de lado por um longo período e mesmo assim, quando foi liberado continuei nas caminhadas e eliminei 11kg de março até agora. Portanto, deixo aqui este depoimento em forma de incentivo para inspirar a todos que se atreverem a ler estas linhas a saber que sim, é possível mudar de vida, mesmo convivendo em uma casa em que os demais mantém os hábitos “normais” de alimentação. Basta querer. E peço sempre a Deus para que me mantenha com disposição e persistência em manter este novo estilo que escolhi de vida e que em 2021 nos liberte desta pandemia para que possa voltar a academia com segurança para ganhar musculatura, pois a idade cobra e as pelancas aparecem (hehehe). Fica só o alerta que uso como meu mantra: um obeso é um doente crônico e como no AA usam o lema que compartilho para nós, mas voltado à comida: só por hoje, não! E assim vamos vencendo...

domingo, 1 de novembro de 2020

Espermatozoide Careca, 20 anos

Para quem não sabe, além de publicitário e jornalista sou ator profissional desde os 15 anos, quando iniciei na atividade artística no grupo Presença, em Santa Maria, com o diretor Freire Junior, a quem devo muito pela minha formação teatral e intelectual.
Chegando a Porto Velho no ano de 1996 demorei a conhecer o pessoal do teatro, até que encontrei a Suely Rodrigues trabalhando no Sesc e eu no departamento de eventos da TV Rondônia. E sabem o mais engraçado de tudo isso? Ela, em uma das andanças da vida havia passado com sua peça teatral “Eu, Vocês e Eles” por Santa Maria. Ela me viu em cena e eu a vi, mas acabamos por não nos conhecer. Mas quis o destino que anos mais tarde nos reencontrássemos e, de pronto, lancei o desafio da montagem da peça “Confidências de um espermatozoide careca”. Demorei quase quatro anos a convencê-la na empreita, até que ela aceitou após uma longa conversa onde passei minhas ideias de cortes no texto, na ideia de um outro ator e ela veio com seu talento moldar e me ajudar a construir estas participações, a me corrigir em cena, a reunir a galera de apoio do espetáculo e eu, nos tempos de folga do trabalho na Amppla Propaganda ia atrás de apoios para poder colocar este espetáculo em cena. Aqui quero fazer um parêntese todos especial a Unimed, Unipec (hoje Uniron), Supermercado Gonçalves e ao Grupo Milla. Foram eles que primeiro acreditaram e investiram em um ator até então desconhecido e, assim, conseguimos levar o riso, a diversão, a reflexão e a cultura para mais de 15 mil pessoas nestes 20 anos de atuação em Porto Velho, Cacoal, Ji-Paraná, Rio Branco. Sim, no dia 1 de novembro de 2000 eu apresentava o espetáculo nos palcos rondonienses pela primeira vez, tomado de grande emoção, para uma platéia seleta de convidados, familiares, patrocinadores e imprensa. Se me perguntarem lembro-me de cada detalhe deste e do dia anterior (que foi o da montagem de cenário, ensaio geral, afinação de luz), do choro que me invadiu o peito quando o querido Gibassan levantou aquele pano pintado com os espermatozoides voadores. Quando a luz acendeu pela primeira vez. Como diz o Rei Roberto, foram muitas, mas muitas emoções e que me acompanham até hoje. Por isso, quero de público agradecer ao grupo Raízes do Porto na pessoa da Suely Rodrigues que foi quem primeiro acreditou. Sem ela eu não existiria provavelmente nos palcos rondonienses. E a todos que participaram deste projeto: os atores Ery Oliveira, Odinaldo Silva, Juraci Júnior, Jailton Viana. O pessoal de apoio: seu Osias, Arlete Vrena, Zaine Diniz, Kenny Frazão. E sem dúvida a todos os veículos de comunicação que sempre abriram as portas para divulgação, entrevistas, publicação de releases. Por fim, quero dizer que estava programada uma apresentação neste dia 1 de novembro, mas a pandemia nos impossibilitou de executar. Mas tenham certeza de que esta data será comemorada fora de época. Aliás, Porto Velho já está acostumada a comemorar seus eventos fora de época. Apenas entrei na brincadeira. Portanto, se tem uma palavra que resume tudo, é gratidão.

quarta-feira, 28 de outubro de 2020

Um ano de saudades

Neste dia 28 de outubro enquanto os servidores públicos de todo país comemoram o seu dia (merecidamente), em minha lembrança e recordação ficará marcado para sempre como um dia de muita tristeza, pois para mim será sempre lembrado como o dia que o meu irmão desencarnou na Terra e renasceu para a vida eterna.
Sim, neste dia, em 2019, ainda de madrugada eu recebia a ligação que ninguém quer receber. “O mano se foi” me informou meu outro irmão que lá estava com ele em São Paulo. Eu havia chegado de lá há poucos dias e já me programava para regressar tendo em vista o agravamento de sua saúde. São recordações que nunca sairão da minha memória. Mais ainda porque consegui vôo na madrugada seguinte, para poder amanhecer lá e poder acompanhar as homenagens finais e surpreendentemente um enorme nevoeiro baixou em Porto Velho e os aviões não pousaram e não consegui ir. Para mim, o mais triste de tudo, não me despedir de meu irmão. Enfim, o que tenho em mente quando revejo meus arquivos no computador com nossas fotos são imagens de muita alegria. Ficávamos pelo menos um ano sem nos ver e quando nos encontrávamos era alegria, muita risada, piadas (que ele contava com maestria) e, claro, muitas lições de vida que ele fazia questão de deixar a cada encontro. Assim era o mano André Luiz Berno, que para nosso egoísmo se foi muito cedo aos 52 anos pela mais cruel das doenças, o câncer. Este traiçoeiro inimigo que a medicina ainda não conseguiu vencer de todo o levou precocemente. Cheio de vida, de projetos, de expe ctativas para o futuro, de sonhos... Deixou-nos muito tristes, pois plantou boas sementes junto com a cunhada Jomara, a Vitória e o Gabriel, que nos enchem de orgulho ao seguir os ensinamentos do pai. E assim vamos vivendo. De saudades, de lembranças, de carinho. Morrendo um pouco a cada dia na certeza infinita de que um dia nossa família estará reunida novamente no nosso verdadeiro lar. Aos meus amigos convido para orarmos por seu espírito e por todos os que nos deixaram nesta pandemia, em uma missa que será celebrada na Catedral Sagrado Coração de Jesus, em Porto Velho, nesta quarta-feira (28) às 18h30. A todos que quiserem prestar esta homenagem, sintam-se convidados a este banquete em celebração à vida.

quinta-feira, 8 de outubro de 2020

Quando voltarão os abraços?

Não sei vocês, poucos e bons leitores que acompanham meus artigos, mas esta pandemia me fez ter saudade de muita coisa. Até eu que raramente consumo bebidas alcoólicas estou com saudade das reuniões com amigos em boteco. Daquelas de passar horas falando sobre tudo e nada ao mesmo tempo. Mas de um abraço.... Putz!!! Após oito meses da decretação de pandemia a saudade é imensa. Sim, sinto falta de ao chegar ao trabalho dar um abraço em um colega. Ao encontrar alguém querido dar aquele “quebra costela” como falamos no sul. Ou então chegar para um(a) amigo(a) querido (a) e encontrá-lo (a) tristonho(a) e não falar nada, apenas abraçar. Abraçar e apertar e juntar todos os caquinhos que estão soltos dentro de nós. Abraçar e dizer, estou aqui, tudo vai melhorar. E se não melhorar estarei aqui sempre.
É desta proximidade, deste calor, desta ternura que me faz falta. Do contato com os seres humanos nos dizendo e nos tornando exatamente isso. Humanos. Reuniões via aplicativos são ótimas, pois economizamos tempo, dinheiro. Mas nos afastam. Perdemos o contato, a afetividade. E isso tudo me fez lembrar do significado do abraço. Segundo me contaram uma vez de que o abraço foi criado não só para se ter afeto, mas para aproximar corações. Para selar a paz entre pessoas. Os corações aproximados se tornam mais afetuosos. E escrevi tudo isso para relatar o encontro com um queridíssimo amigo, o Marcus do Amaral, no Mercado do 1. Foi muito engraçado, pois eu estava aguardando atendimento e ele brincou comigo e eu me virei e não o reconheci (estas máscaras...). Mas quando ele falou novamente e me olhando dei um longo abraço que foi muito legal. Tanto que brincamos depois com aquela cena do desenho do Tom e Jerry que o Tom vai ao banheiro e se joga álcool, lava as mãos, faz gargarejo... Infelizmente vivemos estes tempos difíceis. Tenho certeza de que passará. Mas até lá, nos cuidemos usando máscara e nos higienizando sempre que possível. Vamos em frente. E quando a vacina chegar, aja abraço... Quem quiser ver o vídeo citado só ir neste endereço: https://www.youtube.com/watch?v=HiTMpcRsH1g

quinta-feira, 1 de outubro de 2020

Todos têm direito, menos os pedestres no skate park

O título da reflexão de hoje me chega, pois sou uma das centenas de pessoas que utilizam da caminhada diária (ou quase) para exercício e, consequentemente de espaços públicos para tal prática. Até porque, neste momento ainda não me sinto seguro em retornar a uma academia em ambiente fechado para praticar outros exercícios, preferindo o ar livre por enquanto. Pois bem, para chegar até ao local do Skate Park, em Porto Velho, onde faço a caminhada, que apesar deste nome tem apenas uma rampa para a prática do esporte e um belo parque a ser explorado pelo poder público (mas isso é outra reflexão), preciso caminhar quase 1km pelas “calçadas” de algumas ruas. É impressionante como nossas calçadas são mal cuidadas e desniveladas. Se para um caminhante sem problemas de locomoção já é complicado, fico imaginando as pessoas com deficiência como deve ser difícil tentar fazê-lo. Mas eu quero me dirigir especificamente hoje ao problema dos caminhantes no skate park.
Como usuário constante minha companheira de caminhada, a também jornalista Andréa Minuto e eu, nos deparamos com algumas dúvidas em relação ao uso correto da pista de caminhada. Bem, se o local se chama pista de caminhada há de se supor que fosse somente para tal. Mas não é o que se constata. Há um tráfego imenso de ciclista e patinadores que teimam em utilizar a pista como velódromo. Isso mesmo, velódromo. E , com esta atitude colocando em risco a integridade física dos demais praticantes de esporte (caminhada e corrida). A velocidade que eles imprimem em meio aos caminhantes é muito grande e os esbarrões e atropelamentos são constantes. Já presenciamos vários. E isso acontece diariamente sem que ninguém tome atitude. Ontem mesmo uma menina em um patim me deu um esbarrão e nem sequer se virou para pedir desculpas. São os verdadeiros donos do espaço. E isso não era assim. Mas creio que com as limitações do Espaço Alternativo na pista do aeroporto, muitas famílias migraram para o local especialmente após a prefeitura ter feito a iluminação do local. E com isso todos os praticantes deste esporte vieram à reboque. Por estas situações, estou aqui pedindo encarecidamente a quem de direito for, algum vereador, secretários, que tomem providências. É preciso disciplinar o uso do espaço. O que pode e o que não pode. Colocar placas indicativas de proibições e fiscalizar. O que não pode é continuar do jeito que está, pois em algum momento alguém irá se machucar feio. E espero que não seja uma das dezenas de idosos que por sua estrutura ser mais frágil, podem sofrer sequelas graves devido a velocidade impressionante com que ciclistas e patinadores circulam entre os caminhantes. Sim, precisamos de mais espaços na cidade. Sim, é preciso disciplinar. Mas para isso também precisamos de vereadores e prefeitos (futuros) que pensem e cuidem de nossa cidade e, principalmente, vislumbrem a Porto Velho do futuro. Não para nós, mas para as próximas gerações, prevendo o futuro crescimento da cidade. Então, fica a reflexão da semana para todos e o apelo para que olhem pelo Skate Park. Um espaço público maravilhoso, mas que precisa um olhar mais cuidadoso. Não só de iluminação. (Crédito da Imagem: Comdecom)

terça-feira, 22 de setembro de 2020

Médicos peritos e a pandemia

Fiquei assustado nos últimos dias com a recusa dos médicos peritos do INSS em retornar ao trabalho devido os riscos de sua profissão e contato com pacientes quanto ao corona vírus. Mais espanto ainda me causou quando fui pesquisar o conteúdo do juramento que todo estudante faz ao sair dos bancos escolares da academia e é recitado, muitas vezes, em uníssono no dia da colação de grau.
“Pesquei” apenas um trecho inicial que diz: “como membro da profissão médica, eu prometo solenemente consagrar minha vida ao serviço da humanidade; a saúde e o bem-estar de meu paciente serão as minhas primeiras preocupações”. Entendo o receio que todos temos no contato com as pessoas e na possibilidade de contaminação pelo covid especialmente no momento em que ainda não temos uma vacina. Entretanto vejo a quantidade de profissionais médicos, enfermeiros, técnicos, laboratoristas, motoristas de ambulâncias, socorristas que não medem esforços para atender toda a população colocando em risco a sua vida e de sua família para salvar pessoas, sem questionar se estão ou não contaminadas pelo vírus. São, sem sombra de dúvidas, soldados da linha de frente, da trincheira, nesta batalha que já ceifou milhares de vida em todo o mundo. Mas, enquanto isso, médicos peritos que podendo tomar todos os cuidados, com Equipamentos de Proteção Individual (EPI) adequados e todas as normas de sanitização, ainda assim se recusam a atender as centenas, milhares de brasileiros. São pacientes não de covid, mas de outras doenças e que necessitam deste auxílio para sua sobrevivência e de sua família. Mas enquanto isso seus gordos contra-cheques continuam a pingar na conta. Se as agências do INSS não abriram, eles não trabalharam nos últimos seis meses e mesmo assim receberam seus vencimentos e agora, só agora, quando se retorna ao trabalho vão brigar por fiscalização e outras coisas mais? Por qual motivo não o fizeram antes? Vejam, não estou aqui para apontar dedos. Mas se os médicos e profissionais da área de saúde em geral podem e estão atendendo a população em geral, por que estes são mais especiais do que todos os demais? O que eles são mais importantes que qualquer ser humano necessitado de atendimento e dignidade? Deixo aqui minha indignação com este real situação que ocorre neste momento em nosso país. Em tempo, eu estou trabalhando de forma normal, apenas me protegendo com máscara e muito álcool 70%. Eles não podem fazer o mesmo? E o juramento feito de “consagrar minha vida ao serviço da humanidade” é muito bonito no dia ou então pregado em alguma parede de consultório. Na prática foi esquecido por alguns. Reforço, por alguns.

quinta-feira, 10 de setembro de 2020

Rituais

 

Acredito que todos nós temos nossos rituais. Ao acordar, sair de casa, chegar no trabalho, sair.... talvez muitos deles os façamos sem nem perceber.

Particularmente eu acordo, coloco a água do café para ferver e costumo sair para o pátio da casa admirar o jardim e o dia que nasce e fazer as primeiras preces de agradecimento por mais um dia que inicia.


Mas ultimamente este meu hábito prazeroso está me provocando sentimentos ruins, tanto que parei de fazer. E explico com uma pergunta. Já tentaram ver o nascer do sol nestes últimos dias? Não me refiro ao pôr do sol, mas ao nascer.

Não se consegue. Hoje ao olhar pela janela do banheiro na hora do banho matinal mal e mal se via uma bola vermelha no horizonte. Ou seja, a fumaça tomou conta de nossa paisagem, de nossa vida, das nossas casas tornando nossa vida cinza e nossos dias sem brilho.

No teatro usamos a fumaça (através de uma máquina onde usamos glicerina líquida) para “desenhar” a luz no palco. Basta olhar nas ruas, lá no skate parque (me refiro a cidade de Porto Velho onde moro) e ver a luz desenhada pela fumaça. Realmente são tempos muito difíceis estes.

Cheguei a brincar (mas usando de muita ironia) com amigos dizendo que esta fumaça vem da França, da Alemanha, pois no Brasil é proibida a queimada.

Meu Deus, meu povo! Não conseguimos fiscalizar nem nossas imensas fronteiras, nem ao menos os supermercados que remarcam preços absurdos e vamos querer controlar as queimadas neste gigantesco território amazônico e no cerrado brasileiro?

Infelizmente, e lamento muito por isso, iremos continuar a sofrer com queimadas e com sua inevitável fumaça enquanto não houver a consciência humana de que é necessário manter nossa floresta em pé. Mas enquanto a ganância humana predominar, enquanto o ganho individual for mais importante que a coletividade continuaremos todos neste sofrimento.

Nem vou aqui me delongar em números de focos de queimadas, aumento de doenças respiratórias pois todos sabemos disso. Quero apenas ter meu céu sempre azul, poder voltar a agradecer a Deus todas as manhãs sentindo o sol no rosto. Enfim, preciso me sentir humano. Vivo, neste grande bioma chamado AMA ZÔNIA.  

Que venham logo as chuvas para nos abençoar e trazer de volta à vida e limpar nossos horizontes. E, claro, deixar nossos jardins mais verdes e meus rituais matinais mais prazerosos.


segunda-feira, 27 de julho de 2020

Distanciamento e hipocrisia



Antes de mais nada, vamos definir o que é hipocrisia, que segundo o dicionário significa “o ato de fingir ter crenças, virtudes, ideias e sentimentos que a pessoa na verdade não possui, frequentemente exigindo que os outros se comportem dentro de certos parâmetros de conduta moral que a própria pessoa extrapola ou deixa de adotar”.
Pois é, acredito que pela generalização, podemos afirmar que a quase totalidade das pessoas civilizadas tem acesso a pelo menos um meio de comunicação e que já são cientes de que existe uma pandemia democrática, ou seja, não escolhe classe social, raça, cor e sexo, e que está matando milhares de pessoas ao redor do mundo.
Diante disso, e apesar de todos os apelos das autoridades sanitárias, muitos que defendem a abertura disso e daquilo, na verdade estão defendendo o próprio umbigo e sendo hipócritas. Isso porque acho, sinceramente, que se tomadas as devidas precauções no comércio, pouco risco se correrá. Repito, tomando todas as medidas sanitárias necessárias.
No entanto, ainda sou cético e contrário ao retorno das aulas e academias, por exemplo, devido ao alto risco de contaminação, exceto se me provarem o contrário.
Mas o que acontece na verdade é que ao se abrir o comércio, muitos acharam que havíamos vencido a Covid-19, que estávamos imunes. Ledo engano. Fiquei assustado ao assistir reportagem nesta manhã mostrando as praias em diversos pontos do nordeste onde as pessoas, além de aglomerarem não davam a menor bola para as proteções simples, como o uso de máscara.
Com certeza estas criaturas serão as mesmas que aparecerão chorando nas matérias sensacionalistas, pois não conseguiu um leito de UTI, um respirador para seu ente querido. Hipócritas.... infelizmente este é o termo. Estou generalizando, sim. Alguns serão contaminados mesmo sem sair de casa devido à irresponsabilidade destes seres desprezíveis que ainda não entenderam que é preciso respeitar para ser respeitado. Se preservar para resguardar o outro.
Pessoal, os números não mentem. E estão subindo exponencialmente a cada dia após as liberações e reaberturas de comércio e outras atividades. Em Porto Velho mesmo, a quantidade de gente que vejo caminhando nos parques sem a proteção de máscara é incrível. E onde fica o respeito a sua vida e a do outro? Claro, como ele é um hipócrita, o dever de se proteger é do outro, nunca meu. A culpa pela disseminação é do outro, nunca minha.
Enquanto se pensar desta forma seremos todos hipócritas. Cuide-se, pelo bem de todos!  

terça-feira, 21 de abril de 2020

Não podemos pensar em um país de futuro querendo reviver o passado


Lembro-me do desejo em continuar a fazer teatro após uma rápida experiência na escola primária, em Santa Maria (RS) com a atriz Marilu Marin (in memorian) enquanto cursava a 8ª série do Instituto de Educação Olavo Bilac. O ano era 1985. Então já cursando o antigo 2º Grau na Escola Cilon Rosa veio o convite para fazer o curso de iniciação teatral do Grupo Presença, à época um renomado grupo comandado pelo meu querido Pedro Freire Junior (in memorian). 
Fiz o curso e ingressei no grupo. Tinha tenros 15 anos quando fiz minha primeira apresentação em teatro adulto, para mim, à época, uma imensa responsabilidade. Especialmente por estarmos em um processo de transição, pois estávamos saindo de 20 anos de ditadura militar e entrando na redemocratização. Como havia até então vivido em uma família extremamente conservadora, passei alheio a minha infância e início da adolescência por este período ditatorial.
Foto do espetáculo "O Berço do Herói"de Dias Gomes
que originou a novela "Roque Santeiro", também censurada.
Montagem grupo Raízes do Porto - não recordo o crédito do fotógrafo
No entanto, ao ingressar em grupo comandado por uma pessoa extremamente politizada e que havia sido preso por duas vezes durante o regime, você começa a ver o mundo por outro prisma, por outra realidade. Aos quinze anos passei pela experiência de me apresentar para um censor da Polícia Federal (creia, uma figura sisuda, séria) que à véspera da estreia nos diria se podíamos ou não apresentar e qual a faixa etária recomendada. Após, era expedido um certificado de liberação, que deveria estar exposto à entrada juntamente com um cartaz com a faixa indicativa de idade.
Meu primeiro espetáculo foi uma provocação do Pedro ao sistema. Ele montou nada mais nada menos que “Moço em estado de sítio”, do Oduvaldo Viana Filho. Peça que já havia sido censurada pelo sistema. A segunda? “Eles não usam Black-tie” do Gianfrancesco Guarnieri. Ou seja, comecei bem. E com a politização iminente em um país que se preparava para a transição, elegia um presidente por via indireta e em breve reformularia uma Constituição, que seria chamada pelo grande Ulisses Guimarães de Constituição Cidadã. 
Para meu espanto, 35 anos após tantas conquistas, tantas lutas e vitórias, o povo brasileiro se vê, estarrecido, à possível iminência de uma volta ao passado, de um retrocesso cívico imenso, que é justamente se ver privado de suas liberdades constitucionais. Sinceramente, não consigo vislumbrar o país dando este passo para trás. Enquanto o mundo se livra de ditadores e opressores do povo, aqui se quer a volta ao passado. E o pior, a pedido de uma parcela considerável da população.
O que considero pior nisso tudo é que o próprio povo que deseja isso, até pouco tempo atrás pedia a saída de um governo que “namorava” com ditadores, investia em países comandados por governantes autoritários e que pela opressão se perpetuavam no poder. Por isso fica difícil entender esta parcela da população.
Pela ótica dessas pessoas, em governos militares não há corrupção (o que não está provado, pois quem seria louco de denunciar algo?). Ora senhores, se o problema é este, temos o sistema democrático e de direito que inibe tais práticas e se alguém for comprovadamente corrupto, responderá criminalmente por seus atos. É pelo voto e pela vontade popular que se modificam as coisas, mas nunca pelos retrocessos em conquistas adquiridas. Só se mexe se for para melhorar a vida de todos, o que não se justifica os pedidos de fechamento de Congresso (Câmara e Senado) e Superior Tribunal Federal.
Por isso conclamo a todos para pensarmos um país melhor, mas pelas vias democráticas. Nosso país não aguenta mais a derrubada de governantes por pensar diferente. Se o atual está ruim, que se critique, que se peça impedimento, mas tudo pelas vias legais, constitucionais. Sem golpes. E mais, a quem pede o retorno do AI-5, está no mínimo mal informado, pois foram editados 17 Atos Institucionais no país e (Deus nos defenda que não ocorra mais) se outro for publicado, será o AI-18.
Por isso, meu queridos amigos, quero continuar a produzir meus espetáculos, minhas propagandas, meus conteúdos sociais sem precisar passar pelo crivo moral e de pensamento de uma pessoa do “sistema” carregada de pré-conceitos, preconceitos e sabe-se mais lá o quê?  Afinal, não vivemos, ainda, na visão do “Grande irmão” a nos espionar. Não podemos querer lutar por um país em que tenhamos um futuro melhor desejando voltar ao passado. 

quinta-feira, 4 de abril de 2019

As memórias de um espermatozoide careca



Quando convidei Suely Rodrigues para dirigir uma peça de teatro que deseja montar, estava vivendo um momento muito triste em minha vida e precisava de algo para ressignificar minha existência. Estava há quatro anos sem fazer teatro e vivia um princípio de depressão devido a uma separação bem traumática e que me jogou na lona. Sim, artista humorista também passa por estas coisas. Somos gente e temos (e muita) emoção.


Bem, essa conversa com a Suely foi em 1998 (somos velhinhos já) mas que foi se concretizar somente em 2000, quando a deprê e a solidão bateram à porta e eu não deixei entrar, preferindo gastar toda a minha energia em não olhar para trás e remoer tudo o que perdi, mas sim mirar o horizonte e investir tudo o que não tinha na realização de um sonho.
E foi assim que em 1 de novembro de 2000 nasceu “Confidências de um espermatozoide careca”, um monólogo, que em princípio poderia ser chato para o público, mas com a intervenção da direção em colocar um outro ator deu dinamicidade ao trabalho.
Não vou dizer que foi fácil porque não foi. Foram seis meses de árduo trabalho, ensaios e, posteriormente, de uma corrida por apoios e patrocínios. Lembro de cada um em quem ainda sou grato, como a Uniron (Fernando e Basílio), Unimed à época comandada pela Drª Ida Perea e pelo Luis Fernando (hoje secretário de Estado); ao supermercado Gonçalves (Sergio), Junior Sun; mas tem um patrocinador que não queria nem que colocasse o nome dele no panfleto, mas achei injusto, pois graças a ele consegui montar o cenário e confeccionar todo o figurino. Refiro-me ao Luismar do grupo Milla.
Na época tivemos um parceirão que jamais vou esquecer que foi o nosso querido Sesc e o amigo Tico Marinheiro e Julio Yriarte. Isso sem falar na imprensa local que sempre divulgou, sem restrições, nosso trabalho, abrindo portas para entrevistas, divulgação de releases e agendas e entrevistas em programas nobres.
Durante todo este tempo de idas e vindas muita gente passou e assistiu ao espetáculo. Não só Porto Velho, mas o festival de teatro em Rio Branco, Ji-Paraná e Cacoal com o apoio na época da Brasiltelecom (hoje Oi) que foi fundamental neste processo. Cacoal ficará sempre na memória com as três apresentações em uma única noite, sendo que a última iniciou as 23h30 me deixando esgotado, mas feliz por tamanha receptividade.
Só poderia concluir este pequeno artigo com mais agradecimentos. A Deus, a Suely por ser minha irmãzona e aos “espermatozoides” que me acompanharam nestas jornadas pela vida, iniciando com o Ery Oliveira, Odinaldo Silva, Juraci Junior e Jailton Viana.
E também a todos os integrantes do grupo Raízes do Porto que não mediam esforços para auxiliar nas montagens e dar suporte para que as apresentações ocorressem. Arlete, seu Osias, Kenny, Zaine, Alexandre, Felipe, João... a lista é grande. A vocês o meu mais profundo sentimento de gratidão. A apresentação desta quarta-feira (3) de abril ficará marcada não como mais uma, mas como “a apresentação”, o retorno, a retomada. Saibam que tudo o que está aqui escrito passou como um filme ontem em minha cabeça e quase me levou às lágrimas em cena. Mas que agora elas rolam fáceis, libertas pela emoção deste jornalista que teima em ser ator. Ou seria o contrário?

quarta-feira, 13 de março de 2019

Rondônia: do fio ao satélite

Trecho da BR 364 em Rondônia


Há algum tempo venho observando, estudando e fazendo parte da comunicação no estado de Rondônia. Seja como publicitário recém formado, lá no século passado em fevereiro de 1996, pela UFSM, no Rio Grande do Sul, ou como jornalista graduado na Uniron desde 2011, em Porto Velho.
Como já atuava em Santa Maria, mesmo antes de colar grau, tenho mais de 25 anos de trabalho em comunicação. É uma bela história. Mas nada que se compare as lutas de homens para conquistar e interligar o centro do poder administrativo aos rincões esquecidos do Noroeste brasileiro.



O professor e doutor em comunicação Jacques Wainberg esclarece em seu livro ‘Casa Grande e Senzala: com antena Parabólica’, que as “redes comunicacionais são pré-requisitos à fixação do ser humano no espaço, à superação do isolamento e da solidão e ao desenvolvimento da vida comunal”. E este era o projeto de interiorização do país, com a finalidade de manter o homem ocupando o espaço amazônico para que este não fosse ocupado pelos vizinhos limítrofes.
As primeiras tentativas de comunicação no território que hoje denominamos de Rondônia foram com a Estrada de Ferro Madeira-Mamoré, iniciadas ainda no século 19, mas concluídas somente em 1912, onde os primeiros jornais que circulavam eram editados na língua inglesa, e, com a linha telegráfica capitaneada pelo Marechal Rondon, que também aqui aportou neste período.
Estes sim, pioneiros da comunicação e que sofreram e passaram por grandes intempéries nesta mata ainda selvagem e que ceifou milhares de vidas, seja na construção da ferrovia ou no desbravamento da mata, no Ciclo da Borracha, onde eram atacados por índios e pelo maior inimigo do homem, o mosquito da malária, responsável direto pelo grande número de baixas.
Trem da Madeira-Mamoré
Muitos anos se passaram e o trabalho desempenhado por Rondon e seus homens não foi esquecido, pois o traçado delineado pelo grande sertanista brasileiro serviu como balizador para a construção da BR 029, posteriormente denominada BR 364. De nossa ferrovia pouco restou além de um cemitério de ferros jogados pelo caminho dos trilhos e poucos objetos e galpões que a muito custo estão sendo restaurados. E ela continua interligando “nada a lugar algum”.
Além dos já citados, muitos outros pioneiros da comunicação precisam ser lembrados e reverenciados como Phellippe Daou, Osmar Silva, Adair Perin, padre Vitor Hugo, Euro Tourinho, Mario Calixto, Emir Sfair e família Gurgacz, entre tantos outros que ajudaram a estes visionários a construir o que hoje temos como veículos de comunicação no Estado de Rondônia.
Refiro-me aqui aos desbravadores, mas não se pode esquecer que na atualidade, com o grande potencial que a internet nos legou, surgiram centenas de sites eletrônicos voltados a informação, mas destaco os pioneiros Rondoniaovivo.com,Rondoniagora.com, Rondonotícias, Rondoniadinamica.com.br, Oobservador.com,tudorondonia.com, entre outros.
E assim nasceu Rondônia, lá nos idos de 1981 e, nestes quase 40 anos, em termos de comunicação desenvolveu-se muito bem, apesar de que, ainda em alguns distritos falte a comunicação via celular, mas que está chegando, pois como diria o grande educador Paulo Freire: “sem comunicação não há sentido a vida humana”.
O sinal de internet já chegou a algumas aldeias indígenas para auxiliar na mediação tecnológica e disseminar o conhecimento sem necessidade de deslocamento da aldeia para os centros urbanos.
Aldeia Indígena recebe antena
 para internet
A comunicação, que no caso da Região Amazônica chegou para interiorizar e fazer com que o espaço fosse ocupado, hoje, apesar das grandes distâncias e do desafio de se manter conectado, consegue chegar aos centros populacionais com boa qualidade e se espera que com o aperfeiçoamento das tecnologias se consiga ir além e possibilitar a todos os ribeirinhos o acesso a informação e ao conhecimento, aí sim, criando um país conectado que passou do fio as redes sem fio da informação.

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2019

A polêmica Lei Rouanet* (II-II)



Retornando aos aspectos da Lei Rouanet, as alterações foram basicamente doze. O primeiro fala sobre os critérios de inscrição do projeto, onde o interessado precisa comprovar que realizou, nos últimos dois anos, ação na área cultural que tenha relação com a proposta apresentada. Os produtores que estejam se inscrevendo pela primeira vez estarão isentos desta exigência. Neste caso o MinC estabelece um teto de R$ 200 mil pelo projeto.
Após a inscrição, o processo de aprovação do projeto é dividido em três etapas que consiste na análise técnica de parecerista, análise e sugestões da Comissão Nacional de Incentivo à Cultura (CNIC), e aprovação do MinC (autorização para captação e publicação no Diário Oficial).
Com a nova regra, após apresentar o projeto e haver admissão, o proponente receberá um número de inscrição e autorização para captar 10% do valor aprovado, e o projeto segue para a fase de análise e sugestões (CNIC) apenas se captar os 10% do valor total.
Os recursos serão movimentados por cartão magnético e o limite de saque diário passa a ser de R$ 1.000,00. A movimentação dos valores e a prestação de contas serão realizadas online e poderão ser acompanhadas em tempo real, através do Portal de Transparência.
Os cachês passam a ter exigência prévia, que são R$ 30 mil para artista solo e R$ 60 mil para grupos. Em caso de orquestra, R$ 1,5 mil por músico e até R$ 30 mil para maestro. Valores maiores terão que passar por aprovação do CNIC. Custos relacionados a direitos autorais e conexos seguem com limite de 10% do valor total do projeto.
Os ingressos também passam a ter valor máximo de R$ 150, equivalente a três vezes o benefício do vale-cultura (R$ 50). A regra não altera a cota de 30% de ingressos gratuitos e a de 20% de entradas com preço limitado ao valor do vale-cultura.
Uma das alterações da lei beneficia algumas regiões como os projetos a serem realizados integralmente nas regiões Nordeste, Norte e Centro-Oeste, que terão teto de captação 50% maior, isto é, de R$ 15 milhões. Caso os produtores atinjam o limite de R$ 40 milhões, lhes serão permitidos apresentarem novos projetos de até R$ 20 milhões, desde que também sejam destinados a essas regiões. 
Estas são as principais alterações, tendo também a nos limites para projetos artísticos; a cota de recursos, cujo valor máximo passa a ser de R$ 700 mil para MEI e pessoa física; R$ 5 milhões para empresário individual; R$ 40 milhões para Empresa Individual de Responsabilidade Limitada (EIRELI), Sociedades Limitadas (Ltda.), e demais pessoas jurídicas.
Cada projeto passa a ter o valor máximo de captação estabelecido em R$ 10 milhões, com limite de R$ 40 milhões para projetos simultâneos de um mesmo proponente. Projetos com temática de patrimônio, da área museológica e Planos Anuais, não terão limite de valor.
Caso haja alteração no valor de algum item no orçamento, ela poderá ser feita sem justificativa ou autorização do MinC, desde que seja dentro do limite de 50% e os projetos audiovisuais passam a ter teto fixos: R$ 800 mil para média-metragem; R$ 600 mil para mostras e festivais; e R$ 50 a R$ 300 mil para sites e séries na web.
As alterações realizadas em 2018. Com o governo Bolsonaro ainda não se sinalizou o que será feito efetivamente, tendo em vista que o Ministério da Cultura foi incorporado pelo Ministério da Cidadania e Ação Social.  O que esperamos é que a cultura e a Lei Rouanet não sejam vistos como inimigos do povo, mas como procuramos demonstrar, como mola propulsora de desenvolvimento econômico e social da população.   
A obrigatoriedade da venda de ingressos a determinadas categorias pela metade do valor, ou seja, 50% de desconto, também prejudica aqueles produtores e companhias que não se utilizam de leis de incentivos para a realização de suas produções.
Isso se deve ao fato de que, ao executar um projeto, não se paga para a costureira, ao cenógrafo, ao ator, ao eletricista, ao artista gráfico que cria a arte de divulgação, entre outros, somente 50% do valor. Ou seja, a produção é valor cheio, integral.
Com isso o que queremos salientar é que o produtor e o artista são penalizados, sempre. Além dos custos de produção e divulgação, ao se realizar um evento, se paga taxas aos órgãos públicos municipais para liberação da montagem e impressão dos ingressos. Além disso, 5% da venda de cada ingresso vão para Prefeitura. E o que se faz com este recurso? Investe-se em novos projetos? Não há uma destinação para um fundo que contemple a área.
Além disso, caso o texto encenado não seja de autoria própria se paga 10% da bilheteria ao autor do texto (considero justo), bem como se paga direitos por uso de músicas outros 10%. Com isso, só se paga impostos, taxas a quem não auxilia em nada a produção, ao contrário, “são sócios que só lucram, sem nada investir” (grifo do autor).
Portanto, e para finalizar, saliento a importância da cultura, da memória dos festejos e movimentos artísticos culturais. Nas palavras de Emília Viotti da Costa "Um povo sem memória é um povo sem história. E um povo sem história está fadado a cometer, no presente e no futuro, os mesmos erros do passado."
Geovani Berno (geovani.berno@gmail.com)
DRT/RO 1305