quarta-feira, 17 de junho de 2009
Sr. Rozendo Pascoal - Soldado da Borracha
Sr. Rozendo, também Soldado da Borracha. Trabalhou por mais de 8 anos nas matas amazônicas rondonienses vindo do Ceará para extrair o látex da seringueira e com isso colaborar com os aliados na II Guerra Mundial. Não fez jus a aposentadoria pois segundo o Governo brasileiro ele se aposentou como comerciante e por isso não tem direito ao benefício com Soldado da Borracha.
Adora conversar e contar sua história. Por isso, iremos fazer uma série de vídeos para que nosso leitor, além de conhecer um pouco da história desses "bravos" também conheçam a trajetória de vida desse homem que emprestou suas energias para desbravar nossas matas em busca de látex para produzir borracha.
Acompanhem com a gente a sequência de vídeos. Com vocês, esse simpático ex-soldado da borracha, senhor Rozendo Pascoal de Oliveira.
A entrevista foi concedida ao repórter Geovani Berno, com exclusividade. Agradecemos a importante colaboração da Hermilena, sobrinha do Sr. Rozendo, que nos apresentou a ele e possibilitou essa entrevista.
Adora conversar e contar sua história. Por isso, iremos fazer uma série de vídeos para que nosso leitor, além de conhecer um pouco da história desses "bravos" também conheçam a trajetória de vida desse homem que emprestou suas energias para desbravar nossas matas em busca de látex para produzir borracha.
Acompanhem com a gente a sequência de vídeos. Com vocês, esse simpático ex-soldado da borracha, senhor Rozendo Pascoal de Oliveira.
A entrevista foi concedida ao repórter Geovani Berno, com exclusividade. Agradecemos a importante colaboração da Hermilena, sobrinha do Sr. Rozendo, que nos apresentou a ele e possibilitou essa entrevista.
Entrevista em vídeo com Sr. Ozimo
Em uma breve entrevista o Sr.Ozimo conta um pouco de sua história para o repórter Geovani Berno. Confira um pouco dessa história que faz parte da saga da borracha nas matas amazônicas.
Entrevista com Soldado da Borracha I - Sr. Ozimo
Sr. Ozimo, Soldado da Borracha, aposentado. Recebe atualmente 2 salários mínimos por ter trabalhado duro nas matas amazônicas para produzir borracha para o Brasil e o mundo. Nesse curto depoimento, conta um pouco de sua história e do trabalho cortando seringa. Depoimento exclusivo ao repórter Geovani Berno para o Blog Infocraciadigital.blogspot.com
terça-feira, 16 de junho de 2009
A COMUNICAÇÃO NO SEGUNDO CICLO DA BORRACHA E A MIGRAÇÃO PARA A AMAZÔNIA
O assassinato do líder seringueiro Chico Mendes, em 1988, deu expressão internacional à pequena cidade de Xapuri, no Acre, e voltou o olhar do mundo para milhares de cidadãos que fazem da extração do látex seu sustento e das 'colocações' do Vale Amazônico sua morada. O que poucos sabem é que esse foi apenas mais um capítulo da saga da borracha. Durante a Segunda Guerra Mundial, um exército de retirantes foi mobilizado com pulso firme, propaganda forte e promessas delirantes para deslocar-se rumo à Amazônia e cumprir uma agenda do Estado Novo. Ao fim do conflito, em 1945, os migrantes que sobreviveram às durezas da selva foram esquecidos no Eldorado.
Ao contrário dos soldados que foram à Itália – os chamados “pracinhas” – os soldados da borracha não receberam reconhecimento algum, nenhuma honraria, nem salários. Ao contrário, dos mais de 60 mil que migraram para a Amazônia mais da metade desapareceu no meio dessa imensa floresta. Enquanto que dos 20 mil enviados à Itália, apenas 454 morreram.
Toda história começa em 1941 quando o Japão bloqueia o acesso dos americanos a borracha oriunda da Ásia. Com isso, os olhos se voltaram à Amazônia, grande reserva natural de borracha. Mas a produção era pequena. Em Rondônia, destacava-se Guajará-Mirim com forte produção. Era necessário um grande contingente para aumentar a produção. Um acordo foi fechado com o Governo brasileiro que começou a recrutar homens no nordeste, juntando “ a fome com a vontade de comer”, pois a região sofria com a grande seca que se abateu no início da década. (leia mais em acordos de Washington)
Para arregimentar esse grande contingente a comunicação foi ferramenta importantíssima para mobilizar a população e convencê-los de que a vida na Amazônia valeria a pena e a riqueza e fartura viriam com o trabalho e dedicação. Assim, o Governo Brasileiro contratou o suíço PIERRE CHABLOZ, autor dos cartazes de propaganda, que também era contratado do Semta (Serviço Especial de Mobilização de Trabalhadores para a Amazônia) e depois substituído pela Caeta (Comissão Administrativa de Encaminhamento de Trabalhadores para a Amazônia). Também fez várias das fotos em arquivo. Nas próximas postagens, veja alguns dos exemplos da arte desse francês radicado no Brasil.
Com essa migração em massa, o Governo Vargas consegue resolver três problemas que tiravam seu sono: a produção da borracha para atender aos americanos, o povoamento da amazônia e a crise provocada pela seca no Nordeste.
Essa situação, mostra a subserviência do Brasil em relação aos EUA, mas conseguiu a simpatia do governo americano, que injetou milhões de dólares no Brasil para resolver problemas de infraestrutura.
Com a chegada desses homens à Amazônia, sem um preparo de adaptação, falta de informação sobre as adversidades que se iriam encontrar, acabou-se por se jogar seres humanos numa imensidão verde, repleta de malária, onças, índios e a escravidão dos donos dos seringais que acabavam escravizando os trabalhadores pois forneciam todos os mantimentos, ferramentas e roupas. Assim, o trabalhador já começava a vida devendo. E como se sabe, ninguém poderia sair com dívida no barracão. (Click e leia depoimentos de alguns soldados da borracha ainda vivos e que participaram do vídeo documentário "Soldados para a Borracha", de Wolnei Oliveira).
Pelo menos uma coisa todos os soldados da borracha, sem exceção, receberam. O descaso do governo brasileiro, que os abandonou à própria sorte, apesar de todos os acordos e das promessas repetidas antes e durante a Batalha da Borracha. Só a partir da Constituição de 1988, mais de 40 anos depois do fim da Segunda Guerra Mundial, os soldados da borracha ainda vivos passaram a receber uma pensão como reconhecimento pelo serviço prestado ao país. Uma pensão irrisória, dez vezes menor que a pensão recebida por aqueles que foram lutar na Itália. Por isso, ainda hoje, em diversas cidades brasileiras, no dia 1º de maio os soldados da borracha se reúnem para continuar a luta pelo reconhecimento de seus direitos.(Veja nas próximas postagens vídeos com entrevistas com seringueiros que viveram este momento e contam aqui suas histórias em entrevistas exclusivas para o repórter Geovani Berno para o blog Infocraciadigital).
Um vídeo contando a saga dos brasileiros que migraram do nordeste e não conseguiram mais retornar a seus lares é contado no vídeo "Borracha para a vitória", de Wolney Oliveira. (Ver trecho)
Desde o fim do século XVIII e início do XIV, a borracha brasileira despertou a cobiça estrangeira. Os ingleses que andavam pela amazônia levaram sementes para a Malásia (País com mesmo clima tropical encontrado na Amazônia) e iniciaram a plantação da Hévea brasiliensis (nome científico da seringueira).Com o início da produção asiática, o interesse pela borracha brasileira diminui. A estrada de ferro Madeira-Mamoré (ligava Guajará-Mirim a Porto Velho, contornando as cachoeiras do rio Madeira) que estava sendo construída para possibilitar a exportação da borracha produzida na Bolívia (Tratado de Petrópolis) perde sua importância. Tanto que quando é finalmente inaugurada oficialmente em 1912, o I Ciclo da Borracha já estava em decadência, sendo pouco explorada para esse fim. A Ferrovia serve como um marco do capitalismo que necessitava abrir novas frentes de expansão pelo mundo e encontrou no Brasil um grande campo pois era um país em franco crescimento.
Já na década de 60 é praticamente abandonada por não ter sentido sua existência. Hoje se resume a galpões deteriorados (que muito lentamente vem sendo restaurados) e máquinas abandonadas ao relento. (Assista ao documentário sobre a Ferrovia Madeira Mamoré em vá ao ícone documentários. O documentário está dividido em duas partes. Boa diversão)
Ainda nos dias atuais, a borracha é largamente produzida no Acre em comunidades chamadas de sustentáveis. Muitos trabalham sob administração de uma associação de seringueiros. No Acre esse trabalho é fortemente incentivado pois nao agride a natureza e trabalha com a sustentabilidade, mantendo a floresta em pé. Outros, trabalham em seringais plantados, o que facilita o acesso às plantas e ao corte da seringa.
Acompanhe mais a história da Batalha da Borracha ouvindo o Podcast clicando aqui.
Ao contrário dos soldados que foram à Itália – os chamados “pracinhas” – os soldados da borracha não receberam reconhecimento algum, nenhuma honraria, nem salários. Ao contrário, dos mais de 60 mil que migraram para a Amazônia mais da metade desapareceu no meio dessa imensa floresta. Enquanto que dos 20 mil enviados à Itália, apenas 454 morreram.
Toda história começa em 1941 quando o Japão bloqueia o acesso dos americanos a borracha oriunda da Ásia. Com isso, os olhos se voltaram à Amazônia, grande reserva natural de borracha. Mas a produção era pequena. Em Rondônia, destacava-se Guajará-Mirim com forte produção. Era necessário um grande contingente para aumentar a produção. Um acordo foi fechado com o Governo brasileiro que começou a recrutar homens no nordeste, juntando “ a fome com a vontade de comer”, pois a região sofria com a grande seca que se abateu no início da década. (leia mais em acordos de Washington)
Para arregimentar esse grande contingente a comunicação foi ferramenta importantíssima para mobilizar a população e convencê-los de que a vida na Amazônia valeria a pena e a riqueza e fartura viriam com o trabalho e dedicação. Assim, o Governo Brasileiro contratou o suíço PIERRE CHABLOZ, autor dos cartazes de propaganda, que também era contratado do Semta (Serviço Especial de Mobilização de Trabalhadores para a Amazônia) e depois substituído pela Caeta (Comissão Administrativa de Encaminhamento de Trabalhadores para a Amazônia). Também fez várias das fotos em arquivo. Nas próximas postagens, veja alguns dos exemplos da arte desse francês radicado no Brasil.
Com essa migração em massa, o Governo Vargas consegue resolver três problemas que tiravam seu sono: a produção da borracha para atender aos americanos, o povoamento da amazônia e a crise provocada pela seca no Nordeste.
Essa situação, mostra a subserviência do Brasil em relação aos EUA, mas conseguiu a simpatia do governo americano, que injetou milhões de dólares no Brasil para resolver problemas de infraestrutura.
Com a chegada desses homens à Amazônia, sem um preparo de adaptação, falta de informação sobre as adversidades que se iriam encontrar, acabou-se por se jogar seres humanos numa imensidão verde, repleta de malária, onças, índios e a escravidão dos donos dos seringais que acabavam escravizando os trabalhadores pois forneciam todos os mantimentos, ferramentas e roupas. Assim, o trabalhador já começava a vida devendo. E como se sabe, ninguém poderia sair com dívida no barracão. (Click e leia depoimentos de alguns soldados da borracha ainda vivos e que participaram do vídeo documentário "Soldados para a Borracha", de Wolnei Oliveira).
Pelo menos uma coisa todos os soldados da borracha, sem exceção, receberam. O descaso do governo brasileiro, que os abandonou à própria sorte, apesar de todos os acordos e das promessas repetidas antes e durante a Batalha da Borracha. Só a partir da Constituição de 1988, mais de 40 anos depois do fim da Segunda Guerra Mundial, os soldados da borracha ainda vivos passaram a receber uma pensão como reconhecimento pelo serviço prestado ao país. Uma pensão irrisória, dez vezes menor que a pensão recebida por aqueles que foram lutar na Itália. Por isso, ainda hoje, em diversas cidades brasileiras, no dia 1º de maio os soldados da borracha se reúnem para continuar a luta pelo reconhecimento de seus direitos.(Veja nas próximas postagens vídeos com entrevistas com seringueiros que viveram este momento e contam aqui suas histórias em entrevistas exclusivas para o repórter Geovani Berno para o blog Infocraciadigital).
Um vídeo contando a saga dos brasileiros que migraram do nordeste e não conseguiram mais retornar a seus lares é contado no vídeo "Borracha para a vitória", de Wolney Oliveira. (Ver trecho)
Desde o fim do século XVIII e início do XIV, a borracha brasileira despertou a cobiça estrangeira. Os ingleses que andavam pela amazônia levaram sementes para a Malásia (País com mesmo clima tropical encontrado na Amazônia) e iniciaram a plantação da Hévea brasiliensis (nome científico da seringueira).Com o início da produção asiática, o interesse pela borracha brasileira diminui. A estrada de ferro Madeira-Mamoré (ligava Guajará-Mirim a Porto Velho, contornando as cachoeiras do rio Madeira) que estava sendo construída para possibilitar a exportação da borracha produzida na Bolívia (Tratado de Petrópolis) perde sua importância. Tanto que quando é finalmente inaugurada oficialmente em 1912, o I Ciclo da Borracha já estava em decadência, sendo pouco explorada para esse fim. A Ferrovia serve como um marco do capitalismo que necessitava abrir novas frentes de expansão pelo mundo e encontrou no Brasil um grande campo pois era um país em franco crescimento.
Já na década de 60 é praticamente abandonada por não ter sentido sua existência. Hoje se resume a galpões deteriorados (que muito lentamente vem sendo restaurados) e máquinas abandonadas ao relento. (Assista ao documentário sobre a Ferrovia Madeira Mamoré em vá ao ícone documentários. O documentário está dividido em duas partes. Boa diversão)
Ainda nos dias atuais, a borracha é largamente produzida no Acre em comunidades chamadas de sustentáveis. Muitos trabalham sob administração de uma associação de seringueiros. No Acre esse trabalho é fortemente incentivado pois nao agride a natureza e trabalha com a sustentabilidade, mantendo a floresta em pé. Outros, trabalham em seringais plantados, o que facilita o acesso às plantas e ao corte da seringa.
Acompanhe mais a história da Batalha da Borracha ouvindo o Podcast clicando aqui.
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