Que estamos passando por uma estagnação financeira, ninguém
tem dúvida. Há até um adágio que diz que em tempos de crise, temos de retirar o
“esse” para que se “crie” um ambiente mais favorável e aproveitar as
oportunidades que o mercado oferece.
Pois bem, passamos por altas de combustíveis, impostos,
energia elétrica, que acarretam aumentos em toda cadeia produtiva. Sem falar
que no sudeste, onde fica localizado o maior polo industrial do país, passa por
uma séria crise hídrica que afeta não só os moradores mas a produção que
necessita de água para gerar alimentos e produtos.
O que já estava ruim ainda pode ficar pior. No último
domingo, 17 de maio, a presidente Dilma Roussef, reuniu parte da sua equipe
econômica para que sejam realizados cortes no orçamento da ordem de R$ 70 a 80
bilhões. Com isso, com certeza muitas obras serão paralisadas não só em
Rondônia mas em todo o país.
O poder público, que é o motivador da economia por mais
colocar dinheiro no mercado, ao anunciar estes cortes gigantescos, acena ao
mercado que mais recessão vem pela frente. Estejamos todos preparados. A ponte
no rio Abunã que liga Rondônia ao estado vizinho do Acre com certeza será uma
das obras que sofrerá cortes. O asfaltamento da BR-425 que liga a BR-364 a Nova
Mamoré e Guajará-Mirim será outra.
Isso sem falar que Rondônia recebeu poucos recursos do
Governo Federal para as obras de reconstrução do estado após a fatídica
enchente de 2014. Gastou-se uma pequena fortuna, mas o dinheiro não foi
reposto. O que já enfraquece a nossa economia.
POR FALAR EM ENCHENTE
Completamos agora em maio um ano de pós-enchente. E em 2015
o rio Madeira ainda está alto, com vários repiquetes, ou seja, continua
chovendo muito na cabeceira do rio Beni, principal alimentador de águas do rio
Madeira. Desta forma, o rio está demorando a baixar, o que já poderá ser
prenúncio de novos desastres climáticos para o futuro. O que é certo e notório,
é que o ciclo das águas nunca mais será o mesmo com o pós usinas.
VISTORIAS
Em fevereiro a prefeitura retirou moradores do bairro
Floresta I e II na rua 3 e meio. Mas somente agora, três meses após a
desocupação e com uma ação do Tribunal de Contas da União é que as vistorias
estão sendo feitas para saber o que será necessário se fazer para concluir as
obras. É coisa de louco a morosidade do poder público nestas questões.
Principalmente em obras que já estão em andamento. Obras novas até que aparece
empresas interessadas, mas obras já em andamento, ninguém quer, pois o lucro é
bem menor. Vamos ver no que isso vai dar.
TEATRO
Fui morador por 25 anos em Santa Maria. Cidade que nasci e
cresci. Dos 15 aos 25 anos trabalhei com um grupo de teatro e lutávamos pela
construção do teatro municipal. Pois bem, quando conseguimos e o teatro já
estava a ponto de ser utilizado, me mudei para Rondônia e aqui passei outros
quase 20 anos lutando para que tivéssemos nosso teatro.
Eis que construíram, não um, mas dois. O primeiro com
capacidade para 250 e o outro 1.100 espectadores. Uma lindeza, ambos. Só que
estão sem habite-se. Ou seja, a classe teatral, muito menos a própria Secel
pode fazer qualquer programação pois sua ocupação está proibida. Melhor, não se
pode cobrar ingressos para ocupá-lo.
Com isso, perde o estado que deixa de arrecadar recursos
para a manutenção dos mesmos (vários funcionários já trabalham para isso e
recebem do estado) bem como a classe artística fica impedida de realizar
qualquer projeto cultural pois de graça ninguém consegue se sustentar. Enfim,
já passou da hora dos governos estadual e municipal acabar com esta peleja e
resolver a questão, definitivamente. Todos ganharão.
