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sexta-feira, 19 de março de 2021

Até onde vai a queda de braço entre governo e público

 

Lembro de março de 2020 quando iniciamos a quarentena para conter o avanço do coronavírus no país. Em Rondônia, mais especificamente, onde ainda desconhecíamos o poder destrutivo deste inimigo invisível, a grande parte da população obedecia as diretrizes sanitárias, permanecendo em casa, usando máscara, protegendo idosos, não aglomerando em festas, bares e similares fechados. Mas e agora, o que mudou?

Mudou que as pessoas até pouco tempo atrás, com o vírus relativamente controlado, se acharam livres e imunes ao vírus e se alvoroçaram saindo de suas tocas e dando início a grandes aglomerações em bares, festas públicas e particulares, parques, praias, shoppings.

Enquanto número de mortos só aumenta,
população continua aglomerando
 em espaços públicos e sem proteção...

Enfim, simplesmente cansaram de se cuidar e a pressão do marketing e do comércio para que tudo fosse reaberto acabamos por dar um passo maior do que as pernas e acabamos na situação em que nos encontramos.

Não, não sou a favor de lockdown geral por acreditar que não resolverá a totalidade, mas sim sou a favor de um controle e fiscalização maior. A questão não é o comércio abrir, mas sim, a grande movimentação de pessoas que provoca para que tudo funcione, o que provoca aglomerações nos transportes públicos, por exemplo.

Hoje muitos comércios nem oferecem mais álcool em gel. Tapetes sanitizantes ninguém nem lembra mais que existe. A hipocrisia maior está nos aeroportos, onde somos obrigados a manter distanciamento nas filas de acesso às aeronaves, mas dentro dos aviões a aglomeração é geral, não há distanciamento de pelo menos aquela cadeirinha do meio ser deixada vazia.

E com isso chegamos a números assustadores de transmissões e mortes. O pior ainda está por vir devido a superlotação dos hospitais, tanto públicos quanto privados. Muita gente vai morrer sem assistência médica adequada. Por este motivo, a prevenção ainda é o melhor remédio.

Não há necessidade de “chover no molhado” e mandar usar máscara, usar álcool em gel (se bem que prefiro muito mais uma mão bem lavada com sabão do que usar o álcool) entre outras atitudes como não chamar amigos para comemorar o aniversário (mesmo que em sua casa), não reunir a galera no sítio, não compartilhar narguilé, chimarrão e tererê. São atitudes simples que combatem o vírus. Os especialista dizem que ele é vagabundo, morre com facilidade, mas quando infecta é muito perigoso, e com as aglomerações ele se fortalece através das mutações. Por isso é necessário mais do que ações do poder público, mas de cada um em evitar estes contágios.

Se tudo isso ainda não é suficiente pra você, aviso que as funerárias não estão dando conta do recado. Sim, está na iminência de faltar caixões para enterros. Os cemitérios estão superlotados. Mas se mesmo assim você insiste, boa sorte!

Por último, vou só expor alguns números. Desde que iniciou a pandemia já tivemos em Rondônia 170.515 casos, com 3.519 mortes. São quase 4 mil rondonienses que deixaram filhos, netos, tios, avós, muito tristes, desconsolados. Dentre estes muitas famílias foram desfeitas. Filhos ficaram órfãos, literalmente sem pai e sem mãe. E você está cansado de ficar em casa? Não aguenta mais? Eu também, mas prefiro me afastar de amigos, familiares do que ser afastado definitivamente e ficar isolado em uma UTI, intubado, inconsciente, ou sob sete palmos de terra. E você?