
Mostra de cinema terá discussão sobre Direitos Humanos na América do Sul
Filmes sobre melhor idade, infância, sexualidade e deficiência serão prioridades na 6ª Mostra de Direitos Humanos na América do Sul
Começa no próximo dia 17 de outubro a 6ª Mostra de Direitos Humanos da América do Sul, realizada pela Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, por meio da Cinemateca Brasileira. Serão exibidos filmes históricos, clássicos do cinema e de autores ainda desconhecidos. Segundo o curador da Mostra, cineasta Francisco César Filho, esta é uma mostra contemporânea que se distingue porque muitos títulos são inéditos no Brasil.
Para o curador, um dos desafios foi compor filmes de todos os 10 países latino americanos que produzem cinema voltado para a temática. “A área de Direitos Humanos tem um leque muito grande que diz respeito a todos nós como a educação, o meio ambiente, a criança, o idoso, a mulher e não apenas à violência, como geralmente se imagina. O resultado da Mostra atingirá o público voltado ao cinema e a estas questões”, analisa. “Tivemos a preocupação de escolher filmes com narrativas envolventes, que contam boas histórias. Dois bons exemplos são os filmes Cabra Cega e Araguaya.”, destaca.
Este ano, segundo o curador, alguns filmes foram indicados pela Secretaria de Direitos Humanos (SDH). Também foram escolhidos filmes clássicos. “Por exemplo, teremos filmes sobre a saúde mental, uma vez que comemora-se 10 anos da reforma psiquiátrica. Um filme selecionado nesta tema foi o Bicho de Sete Cabeças, com o ator Rodrigo Santoro. Em referência aos 20 da criação do Estatuto da Criança e Adolescente (ECA), selecionamos o filme Central do Brasil, com a atriz Fernanda Montenegro. O filme Chuvas de Verão, da década de 70, foi um filme revolucionário que aborda o aspecto sexual dos idosos e é um filme corajoso e sensível. Já o filme Morango e Chocolate trata dos direitos dos homossexuais”, explica.
Em Porto Velho, a Mostra será no CineSesc, às 19h. A sessão inicial terá três filmes, curta-metragem: Doce de Coco, Tempo de Criança e Máscara Negra. Na terça, 18-10, mais nove filmes, entre curta e longa-metragens, com destaque para os dois documentários que tratam da Guerrilha do Araguaia, conflito armado ocorrido na década de 1970 no interior do Brasil.
CineSESC Rondônia
120 lugares - (69) 3229.6006 ramal 239
Av. Presidente Dutra, 4175 – Pedrinhas
ENTRADA FRANCA
6ª Mostra de Cinema e Direitos Humanos pela primeira vez em Porto Velho
Diretor da Cinemateca destaca a acessibilidade ao público
Vinte e seis capitais brasileiras (e Distrito Federal) , e pela primeira vez Porto Velho, receberão a 6ª Mostra de Cinema e Direitos Humanos da América Latina, um evento que tem a parceria do Ministério da Cultura, Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República e Petrobrás. Na capital rondoniense a Mostra será de 17 a 24 de outubro, no Sesc, também parceiro em nível nacional. Mais de 46 produções em sessões a partir das 14 horas, serão exibidas ao público local com destaque para a inclusão.
O diretor da Cinemateca Brasileira de São Paulo, Carlos Magalhães, explicou que uma das principais preocupações da organização é dar acessibilidade ao público com necessidades especiais nas salas de exibição de todo o Brasil. A cinemateca é a produtora oficial da Mostra e por isso reuniu os produtores locais (representantes de todos os estados) em uma reunião no último dia 16, na capital paulista. Na ocasião foram traçadas as estratégias de divulgação e acessibilidade para o evento.
“Um ponto importante é que 100% dos filmes têm closed caption (legenda), que auxilia o deficiente auditivo. Em outros casos, temos filmes com a audiodescrição destinados aos deficientes visuais. Estes serão exibidos em duas sessões especiais em cada estado”, destacou Magalhães.
O diretor afirmou que os filmes e as respectivas sinopses das obras escolhidas estarão disponíveis no site oficial da Mostra. Cada filme é classificado com o direito específico estabelecido pela Organização das Nações Unidas (ONU).
Reflexão
Para Carlos Magalhães a Mostra servirá mais uma vez para promover a reflexão, sendo o cinema o instrumento de debate. O trabalho da Cinemateca Brasileira está seguindo uma política pública estabelecida pela Secretaria de Direitos Humanos do Governo Federal. No caso da Mostra que ocorre em 26 capitais e Distrito Federal o desafio para os produtores locais é articular os interessados nestes temas, como universidades, escolas, lideranças políticas e sindicais, terceiro setor, dentre outros e provocar o debate. “A Cinemateca tem buscado um alinhamento de trabalho em nível nacional a partir desta política de Direitos Humanos e estamos abertos às questões particulares de cada região”, ressalta.
Para as próximas Mostras o diretor destacou que a Cinemateca pretende ampliar as exibições com filmes de cada estado, atendendo a produções e especificidades ainda desconhecidas de um País continental como é Brasil. “A convocatória é mista. Os filmes são propostos pela Curadoria. Mas a ideia de abrir para filmes de realizadores locais é importante e queremos ampliar esta participação”, finalizou.

