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segunda-feira, 18 de fevereiro de 2019

A polêmica Lei Rouanet* (I-II)


Durante toda a campanha nas eleições de 2018, o então candidato Jair Bolsonaro, batia demais na Lei Rouanet, que deveria ser extinta e mais um monte de barbaridades. Quero deixar claro desde o início deste texto que sou contra a extinção do que já se tem garantido para a área de cultura. E a Rouanet é uma delas.
A Lei Federal de Incentivo à Cultura foi promulgada em dezembro de 1991 e tornou-se conhecida como Lei Rouanet em homenagem a Sérgio Paulo Rouanet, então secretário de Cultura quando a medida foi tomada. Desde o início, o grande destaque da lei é a política de incentivos fiscais que possibilita empresas (pessoas jurídicas) e cidadãos (pessoa física) aplicarem uma parte do Imposto de Renda devido em ações culturais.
Agora vamos aos pormenores. Mas para isso é necessário que façamos um apanhado do processo cultural no Brasil e retornemos um pouco no tempo, mais precisamente para 1988, data que marca a Constituição Cidadã, assim denominada pelo saudoso deputado federal Ulysses Guimarães.
Essa Constituição foi elaborada em um processo conturbado, de baixa confiança nas instituições do período de redemocratização que, ainda se mostrava fraca e a população desejava ver consolidados seus direitos políticos, sociais, trabalhistas e até mesmo corporativos.

Na Constituição apenas dois artigos (215 e 216) tratavam da cultura no Brasil, e de forma genérica, sem pormenores. Outras políticas públicas foram desenvolvidas por leis infraconstitucionais tais como a criação do Ministério da Cultura e outras instituições gestoras, o Programa Nacional de Apoio à Cultura etc.

No entanto, com o governo de Fernando Collor de Melo (15.03.1990 – 29.12.1992) se deu um passo atrás nas poucas conquistas da área cultural com a extinção do Ministério da Cultura e da Embrafilme, sem perspectivas de se implantar algo novo que as substituísse.

As primeiras discussões neste aspecto tiveram início no governo Fernando Henrique Cardoso (1995-2003). Neste período, as políticas públicas se pautaram quase que exclusivamente pelas leis de incentivo fiscal (Lei Rouanet e Lei do Audiovisual).
A cultura passa a despertar interesses e os movimentos se organizaram para seguir o exemplo de outras áreas, para garantir determinados direitos. O resultado deste processo é um crescente Marco Legal composto por Emendas Constitucionais, Leis, Leis de Incentivo, Decretos, além de várias leis estaduais e municipais normatizando responsabilidades, deveres, direitos e procedimentos específicos para o setor cultural.
No governo Lula (2003-2010), as conquistas foram se ampliando sob a batuta do ministro Gilberto Gil. Nesse período, houve aprovação de algumas propostas de Emenda Constitucional, discussão sobre reformulações da Lei Rouanet, criação do Plano Nacional de Cultura, estabelecimento do Sistema Nacional de Cultura, o vale-cultura, entre outras medidas.

A Lei Rouanet, no governo de Michel Temer (1/09/16 – 1/01/19) tendo como ministro da cultura, Sérgio Sá Leitão, anunciou mudanças na aplicabilidade da Lei Rouanet. Segundo ele, “Ela (a lei) ficará mais simples, transparente, adequada à realidade do mercado e com controles mais eficientes”.
Antes de ingressarmos nestes pormenores, é necessário que se comente que a Lei não engloba alguns itens que considero fundamental serem discutidos e avaliados constantemente. Um deles é a regionalização de recursos. Caso isso não ocorra, é óbvio que as regiões Sul, Sudeste e Nordeste, sempre terão mais recursos que a Norte e Centro-Oeste.

Outro ponto a ser debatido e de vital importância é a questão do Custo Amazônico. Esta sempre foi uma luta constante dos produtores culturais de nossa região, tendo em vista que os custos de deslocamentos, de frete e dos insumos são muito superiores aos encontrados em outras regiões, onde tudo é muito próximo.

Partamos do exemplo de Porto Velho, onde se pode sair para uma turnê. A primeira cidade a ter um teatro é Ariquemes, distante 200 km. Nas regiões sul e sudeste, ao se percorrer esta distância se encontram pelo menos cinco cidades habilitadas a receber uma montagem teatral. Portanto, há que se discutir sim, estas questões.

Uma questão que me incomoda muito é ver pessoas falando que artistas renomados “ganharam” milhões com a Lei Rouanet. Deixo claro que ninguém ganha nada. É necessário se constituir uma empresa (CNPJ), elaborar um projeto que esteja dentro das diretrizes da lei e colocar para apreciação e aprovação do Ministério. Em sendo aprovado o captador de recursos poderá buscar junto a empresas parte do imposto de renda devido ao governo e transformá-lo em um novo investimento.

Desta forma ganha o empresário que teria de pagar um imposto sem saber seu real retorno e ganha o segmento cultural, que poderá contar com projetos culturais que jamais seriam encenados ou constituídos não fossem as leis de incentivo.

Para se ter uma idéia, segundo dados fornecidos pelo MinC, desde a sua criação, a Rouanet já incentivou mais de R$ 16,4 bilhões pelo mecanismo de incentivo fiscal – nos últimos 20 anos, cresceu quase 100 vezes a captação de recursos via a lei: de R$ 111 milhões em 1996 para R$ 1,13 bilhão em 2016.
Levantamentos realizados pela Fundação Getulio Vargas em dezembro de 2018, mostrou que ao longo dos 27 anos, a cada R$ 1 investido por patrocinadores em 53.368 projetos culturais, pelo menos R$ 1,59 retornou para a sociedade. Com isso é comprovado que a cultura é um divisor de riquezas. É preciso que se diga que a Lei não é só para teatro, cinema e música, mas também ajuda a manter museus, patrimônios históricos, artes visuais, setor editorial.
Para o pesquisador responsável pelo levantamento economista Luiz Gustavo Barbosa “o estudo ajuda a desconstruir as fake news que afirmam que só grandes produtores se beneficiam da Lei Rouanet”. Segundo ele os valores podem ser maiores, pois não se levaram em conta recursos vindos de outras fontes geradas pelos espetáculos culturais, como os gastos do público com alimentação e transporte.
O estudo comandado por Barbosa apurou que apesar de haver proponentes que fazem grandes espetáculos, os prestadores de serviços são basicamente pequenos produtores locais. O discurso de que somente os grandes ganham é completamente equivocado. “A cultura fomenta uma cadeia produtiva que impacta nos 68 setores da economia”, afirmou o economista.
Na época da divulgação destes dados, o ministro Sá Leitão chegou a dizer que “a indústria automotiva vai receber R$ 7,2 bilhões de incentivos fiscais e vai gerar 200 mil empregos neste ano. Nós geramos um milhão de empregos, e a cultura vai receber R$ 1,6 bilhão em incentivo”, comparou o ministro.
Os dados comprovam a cada estudo realizado que o campo para a economia da cultura é vasto. O que ocorre é a cegueira de gestores públicos que perdem a oportunidade de gerarem empregos e de divulgarem, através da cultura suas cidades e potenciais turísticos e porque não dizer, potenciais empresariais.
Este aproveitamento potencial é chamado de economia criativa. Num país tão rico em manifestações estéticas e de fazeres artísticos, abrem-se novos caminhos para a geração de trabalhos e de receita, recobrindo os mais diversos lugares do País, incluindo-os no processo cultural, responsáveis por inovar e renovar o desenvolvimento e a riqueza nacionais.

A economia criativa pode ser definida como uma produção que valoriza o simbólico, o intangível, a singularidade. Está calcada na criatividade, que movimenta o ciclo da produção cultural, incluindo os cidadãos na sociedade e na economia, valorizando sua memória e seu patrimônio imaterial e, por consequência, a cidadania.

Muitas cidades conseguiram sobreviver devido à criatividade e a iniciativa pioneira de gestores culturais que iniciaram pequenos projetos e que hoje contam com a participação da população, que foi envolvida no projeto e hoje fornecem a estrutura para que sejam desenvolvidos. Os festivais de Cinema de Gramado e de Tiradentes, são exemplos que caracterizam o processo de evolução. Aqui em Rondônia não se explora o próprio Festival Flor do Maracujá, o Duelo da Fronteira, Festa do Divino entre tantas outras festividades regionais que poderiam gerar anualmente, divisas ao município, com criatividade e um pouco de boa vontade do poder público, aliado a iniciativa privada.

Geovani Berno (geovani.berno@gmail.com)

Jornalista - DRT/RO 1305

Teoria da conspiração

Hoje a temática que gostaria de abordar é sobre a Teoria da conspiração, também chamada de teoria conspiratória ou conspiracionismo, que nada mais  é do que uma hipótese explicativa ou especulativa que sugere que duas ou mais pessoas ou uma organização têm tramado para causar ou acobertar, por meio de planejamento secreto e de ação deliberada, uma situação ou evento tipicamente considerado ilegal ou prejudicial.  

Já ouvi muitas teorias conspiratórias em Rondônia, especialmente no caso do assassinato do então candidato a governo, Olavo Pires. Mas o meu foco hoje é voltado a tentativa de assassinato do hoje presidente Jair Bolsonaro. Sim, trato como conspiração, pois não acredito na versão apresentada de que Adélio Bispo agiu sozinho, e que poucas horas após o ato já haviam quatro, sim, quatro advogados, dos mais respeitados do Brasil, a postos para defendê-lo. Sem ele poder pagar, sem pedir defesa. Apresentaram-se espontaneamente. Depois não querem que falemos em conspiração... E, assim como nós jornalistas temos o direito de resguardar nossas fontes, os advogados também possuem a prerrogativa de não declarar quem está pagando a conta da defesa. O que sabemos é que não será pequena.

No entanto, este governo está sendo célere em provocar escândalos. A imprensa (Petista!!!) na opinião dos Bolsonarianos e, na visão de outros, mais séria e atenta, estão denunciando vários esquemas de corrupção dentro de um governo que se julgava acima do bem e do mal, sem falhas morais. E aí começou a guerra conspiratória. O lado de lá contra o lado de cá. Direitistas e esquerdistas se digladiam nas redes sociais tentando mostrar que o pau do galinheiro do outro é mais sujo do que o seu.

E nós, pobre povo somos bombardeados diariamente por informações falsas plantadas pelos dois lados. Não entrarei no mérito de quem está com a razão ou não. O que precisamos acabar neste país é com a defesa de pequenas corruptelas. Pequenos delitos são tão graves quanto roubar milhões. Tudo é crime passível de punição.

Portanto, tenho defendido que todos, seja o lado que estiver, tem de ser punido comprovada a sua culpa. Estando ao lado do presidente ou não. O que não podemos é ter lado preferencial, ou seja, é só o filho do Bolsonaro que pega dinheiro dos seus assessores? A ALERJ tem 64 deputados e só um fez isso? Sério? E no Congresso Nacional, dentre os 513 deputados e 81 senadores, nem unzinho sequer faz este tipo de negociação em cargos? E na ALE-RO quantos fazem isso?

Se é para servir de exemplo, para punir, que arranquemos o mal pela raiz, mas que o Coordenadoria Administrativa Financeira (Coafi) investigue tudo e todos. Não apenas mirem um grupo. Assim, além de transparência ganharemos em inibição ao crime, em alerta ao eleito, que saberá que se fizer coisa errada vai cair na malha fina e terá de se explicar, perder o mandato, ficar inelegível, ir para cadeia... se tivermos investigação séria com punição exemplar, com certeza, o crime deixará de compensar e teorias conspiratórias dentro e fora do governo serão minimizadas. Aliás, estes boatos espalhados pelas redes em forma de “fake news” também deveriam ser exemplarmente punidos. Especialmente a quem recebe e multiplica esse tipo de informação errada e inútil. Mas isso fica para outro artigo...

Geovani Berno
É jornalista (DRT 1305/RO)



sábado, 5 de janeiro de 2019

O que fazem com o dinheiro dos nossos impostos?



Gostaria realmente de entender o real motivo de pagarmos tantos impostos neste país. Não estaria aqui discutindo se, ao pagarmos esta carga tributária imensa, recebêssemos em troca serviços de qualidade. Em alguns países paga-se quase 50% do que se ganha em impostos, mas saúde, educação, transporte, estradas são impecáveis.

Governo sempre quer arrecadar mais
 às custas do trabalhador
Pagamos INSS, e a saúde de modo geral é muito ruim, e temos de pagar plano de saúde complementar. O IRPF E PJ não perdoa. É descontado na hora do trabalhador e do empresário. No entanto, educação e serviços básicos são péssimos.

Vamos chegando mais perto, naquele imposto que sentimos na hora, no que não está oculto. Um exemplo é o IPVA. Tem sentido pagar imposto todo ano pelo direito de ter um veículo? Uma vez, na hora da compra não basta? Não.  É anual e caríssimo. Tudo para manter as ruas com trafegabilidade e sinalizadas e as estradas em ótimas condições.  Sinceramente, é isso que constatamos em nossas cidades? E quando temos a sorte de ter uma BR bem sinalizada e duplicada, somos mais uma vez punidos, pois temos de pagar pedágio para um terceiro - sim, não é ao governo, mas a uma empresa que recebe milhões anualmente.

Mas temos também o IPTU.  Quer vergonha maior do que esta? Ter de pagar ao Estado pelo direito de ter a terra? Mas eu já não paguei quando adquiri? Agora tenho de pagar novamente? E a maior de todas as aberrações, o ITBI, imposto criado para manter o império. Tem cabimento uma excrescência dessas ainda existir?

E ainda temos taxas e mais taxas que pagamos muitas vezes sem nem perceber ocasionando uma sobreposição de carga tributária. Sem falar dos demais impostos e contribuições como  o ICMS, PIS, Cofins... e por aí vai.
Espero sinceramente, com todas as minhas forças, que o atual governo consiga diminuir o peso do Estado e assim reduzir a carga tributária sobre a produção para que assim o brasileiro consiga, finalmente, ter uma renda pra chamar de sua. Uma renda real e que ao reduzir os níveis de corrupção, os nossos impostos, pagos com muito sacrifício, possam retornar ao cidadão em serviços com qualidade, eficientes e eficazes para toda sociedade.


segunda-feira, 31 de dezembro de 2018

Reflexões de um fim de ano


Hoje o dia é de bastante introspecção. De voltar o olhar para dentro de si e verificar as rachaduras que o tempo provocou, se elas te feriram ou se você conseguiu restaurá-las e seguir com o barco. Ou se você teve um ano tão louco e vibrante que teve de trocar o estepe com o carro em movimento.

Seja lá como tenha sido teu ano, tua trajetória até aqui, devemos, entre outras coisas agradecer. Agradecer pela oportunidade de nascer, de viver e conviver com pessoas tão diferentes entre si e que por isso mesmo, muitas vezes, nos aborrecem, nos causam dor e sofrimento. No entanto, quando você encontra uma alma gêmea, aquele irmão que não é de sangue, mas que toda vez que você chega perto a noite se faz dia, aí sim, vemos que valeu a pena. Nossas dores são curadas, nossas rachaduras cicatrizam, nosso olhar brilha, o coração se torna mais vibrante “e o pulso, ainda pulsa”...

Nos detalhes que a beleza
se revela
Vemos tantas pessoas passarem por nossas vidas desperdiçando o melhor de suas energias com tolices, com bobagens, criando picuinhas em tudo, mas esquecem de dar valor a sua existência. De agradecer ao outro a oportunidade de melhoria, pois é através destes relacionamentos que crescemos e nos tornamos pujantes e melhores a cada dia. 

Aproveite então cada dia quando “o sol bater na janela do teu quarto”, pois é uma nova oportunidade que se abre pra você. Ao invés de reclamar que está quente, tome um banho de rio, jogue um balde de água na cabeça, relaxe, volte a ser criança e aproveite. Aproveite este dia, este minuto, ele pode ser o último e você o usou para reclamar, para maldizer.

Agradeça a este ser superior que tudo criou. Eu o chamo de Deus, você pode não acreditar ou chamar por outro nome, mas a cada vez que olho as belezas nas quais estamos imersos e inseridos, não tem como esquecê-lo. Por isso, agradeça.

Agradeça pelo sol, pela chuva, pelo frio, por tudo, pois Ele só nos deseja o de melhor. Nós é que estragamos tudo. Vamos deixar de culpar os outros pelos nossos fracassos e decepções e, este ‘olhar para dentro’ que falei lá em cima, possa nos mostrar o que realmente estamos fazendo com nossa existência. Será que não sou eu que torno o dia feio? Não sou eu o chato, o petulante, o arrogante, egoísta e orgulhoso?
Para, pense e ore. Converse com Ele. Converse com você. Mas seja sincero. Não esconda nada de você, nem d’Ele e verás que mesmo com temporal caindo lá fora, seu dia será iluminado e vitorioso. Portanto, agradeça seu trabalho, seu chefe chato, sua mãe brigona, seu irmão turrão, o colega de trabalho insuportável... Agradeça, pois eles te tornam melhor.

Feliz “Eu novo” para 2019. Um abraço fraternal. 

quinta-feira, 20 de dezembro de 2018

A Cultura, mais uma vez, de pires na mão


E mais uma vez a cultura se vê na berlinda, ao fechar das cortinas do ano legislativo, o governo estadual encaminhou a Assembleia Legislativa a Proposta de Emenda Constitucional nº 043/18 o qual reduz o percentual de orçamento que seria destinado ao Fundo Estadual de Cultura de 0,5% (cinco décimos) para 0,05% (cinco centésimos).

O FEC, aprovado pela ALE, através da PEC 103/15, também compõe o conjunto de leis, o Sistema Estadual de Cultura (lei nº 2746 de 18 de maio de 2012) e o Plano Estadual de Cultura (Lei nº 3678 de 27 de novembro de 2015).

Cabe ressaltar que desde a promulgação do Plano Estadual de Cultura, em momento algum o Executivo depositou qualquer valor no fundo de cultura, deixando o setor à míngua em se tratando de bens culturais.

Ao mesmo tempo, o governo do Estado praticamente fechou as portas do teatro estadual, pois, para ocupá-lo, os artistas teriam de desembolsar de 4 a 6 mil Reais, por um dia de apresentação. Além desta “pequena” taxa, o responsável teria de utilizar os técnicos do teatro (som e luz) que custavam cerca de R$ 2 mil a mais.

Além disso, foi proposto por um parlamentar, e aprovado em Plenário, a extensão do benefício de meia entrada a todos os servidores da educação, e não somente aos educadores e educandos.

Ou seja, o artista, o produtor, tem cada vez mais obrigações, mais pagamentos de taxas, mais pessoas a quem conceder o benefício do meio ingresso. No entanto, o valor da produção, dos custos só aumentam.

A Prefeitura de Porto Velho, mesmo sem auxiliar em nada o artista e a cultura, cobra 5% do valor bruto do ingresso. O artista tem de mandar imprimir o ingresso e para isso tem de pagar taxas na prefeitura para abertura de processo e autorização para isso. Lembrem-se, eles vão ficar com mais 5% da renda bruta.

O ator, o cenógrafo, o iluminador, a costureira, sonoplasta, contra regra, bilheteiro, porteiro, gráfica que imprime o material, todos que compõe a cadeia produtiva de um espetáculo, cobram a produção do valor normal. Ou seja, ninguém dá 50% de desconto no valor de seus serviços, “ninguém cobra meia mão de obra, mas o artista é OBRIGADO POR LEI a cobrar metade. No que resulta esta atitude? No consequente aumento no valor do ingresso, ou seja, os 50% que muitos não pagam é socializado pelos que pagam inteira.

Lembrem-se, todo produtor é obrigado a vender pelo menos 50% dos ingressos da casa de shows pela metade do preço. Tem os impostos, taxas, custo do aluguel do teatro... o que sobra ao artista?

Eis o ponto que quero chegar. O legislador, quer beneficiar o máximo de pessoas com uma lei. E quanto a isso tem toda razão. Seria ótimo se o Estado fosse um grande mecenas, “bancando” o salário dos artistas para oferecer cultura gratuitamente ou a baixíssimo custo. No entanto, quem produz, quem atua, também precisa de um plano de saúde, de alimentação, precisa pagar aluguel, comer, vestir, conta de energia, água.

Fora isso, quem mora em regiões distantes dos grandes centros, como no caso da região Norte, são “punidos” com o custo amazônico. Isso significa que o valor de tudo o que se necessita é mais caro aqui na região. Passagens aéreas, de ônibus, material cênico... tudo é produzido no Sul e tem alto custo para chegar nestas paragens.

Os deslocamentos são imensos entre uma cidade e outra. Só para exemplificar, para sair de Porto Velho e se apresentar em Ariquemes são 200 km, sendo esta a única cidade com teatro. Em outras regiões como sul e sudeste teremos pelo menos umas quatro cidades com estrutura para receber um espetáculo.

Enfim, todo artista trabalha muito. São muitas horas pesquisando, ensaiando, buscando um patrocínio, costurando, bordando, construindo um cenário. É um labor como qualquer outro e exige dedicação e esforço. Nada é construído do acaso. O texto não é improvisado. Muitas vezes se paga também direito autoral pela utilização do texto e lá se vão mais 10% da bilheteria. Se for um musical, o percentual sobe para 15%.

Como se vê, a cultura contribui e muito com impostos e taxas em todas as esferas públicas e a cada dia somos mais punidos. Não podemos aceitar calados a imposição de se reduzir drasticamente este percentual do Fundo Estadual da Cultura, pois a cadeia produtiva é grande e a cada R$ 1 investido o retorno é em torno de R$ 10 para o Estado.

Por enquanto, o projeto não foi colocado em pauta para votação. O atual governador negociou com a classe artística e prometeu um percentual de 0,1% do orçamento líquido para o FEC. No entanto, o projeto não entrou em pauta para votação. Os parlamentares agendaram sessão extraordinária para o dia 22 de janeiro de 2019 para limpar a pauta e esperamos que seja apreciado e aprovado. Aguardemos os próximos atos.

sábado, 10 de novembro de 2018

A esperança vai vencer o medo?


Lembro bem quando em 2001, após várias eleições perdidas, o PT contratou o publicitário Duda Mendonça que reposicionou a “marca PT” e criou uma campanha que “arrepiava”, entre elas a que mostrava cenas fortes de pessoas humildes na rua entre outras e finalizava dizendo: “se você se comoveu com isso então no fundo você também é um pouco PT”.

Esta mudança de atitude do PT, aliada a uma mudança de visual do então candidato Luis Inácio com corte de cabelo e barba e correção nos dentes, aliada a um discurso mais moderado e pacífico, menos raivoso que o elegeu pela primeira vez a presidente do país. Ou seja, na época se dizia: “a esperança venceu o medo”. Aquele Lula raivoso, gritão, esbravejador deu espaço ao “Lulinha paz e amor” e assim, aos poucos foi conquistando o mercado e o povo brasileiro.

Lula fez um primeiro mandato a meu ver perfeito, prometendo “acabar com tudo isso que está aí”, em uma referência direta a corrupção, ao grande número de cargos comissionados, entre outras promessas que acabaram não sendo cumpridas. Mas com o tempo acabou se confundindo e fundindo com o PMDB (hoje MDB) de centro esquerda para garantir a sua governabilidade e onde vários de seus membros se corromperam “até o tutano”. Que tragédia. A esperança estava morta.

Hoje vemos a esquerda toda afirmando que está com medo da direita. Das atitudes do presidente eleito e que será um retrocesso. Com isso vejo o mesmo discurso sendo repetido. Só que agora do lado oposto. Aí me pergunto se Bolsonaro tivesse disfarçado sua verdadeira face de acabar com a corrupção e de retirar privilégios de muitas categorias, se teria sido melhor?

Sinceramente, não sei como estará nosso país daqui pra frente. Mas o que a população votou foi em uma nova esperança, em uma mudança, pois não suportava mais ver o país afundar nas mãos da esquerda, cada vez mais perdida, especialmente no segundo mandato de Dilma Roussef.

Com certeza esta eleição foi atípica. Foi a briga do #EleNão contra o #ForaPT o #ForaCorrupção. O Brasil vai mudar sim. Esperamos sinceramente que para melhor, voltar a crescer, a se transformar efetivamente na potência econômica que já deveria ter se transformado.

Investir em educação de qualidade, em tecnologia, em saúde preventiva e não curativa, em infraestrutura com diversificação dos modais de transporte, com as reformas necessárias na previdência, tributária e trabalhista que o PT se recusou a fazer em 14 anos de poder.

Ou seja, e para finalizar, o Brasil precisa de um comando. De um freio no excesso da corrupção que travou o país e paralisou centenas de obras públicas. Um basta e uma esperança foi plantada. Não será com ódio que se combaterá o ódio. É preciso um tempo para que novamente a esperança vença o medo.

segunda-feira, 7 de maio de 2018

Associação de apoio à vida aprova estatuto e constitui primeira diretoria



Dia 2 de maio fica marcado na história como a data oficial de fundação do Núcleo de Apoio à Vida Porto Velho

Em reunião realizada na noite desta quarta-feira (2), trabalhadores voluntários do Núcleo de Apoio à Vida Porto Velho (Naviporto) atendendo a chamamento do edital, leram e aprovaram o estatuto da entidade, bem co
Wilma assina a ata de fundação

mo elegeram a primeira diretoria para o biênio 2018-2020.
Comandará o Naviporto, a professora doutora, enfermeira Wilma Suely Batista Pereira, que terá como companheiros de diretoria o psicólogo Cristiano Corrêa de Paula (vice-diretor), Fantoma Fernandes Pereira (secretária) e Maria Aparecida Soares Marin (primeira tesoureira).
A associação não tem fins lucrativos ou econômicos e não possui cunho político-partidário ou religioso e, segundo enfatizou a diretora Wilma Suely,  esta associação será capaz de aglutinar forças para desenvolver e manter trabalho de prevenção e posvenção do suicídio.
Eduardo apresenta o estatuto no Naviporto
Wilma também destacou que é preciso desenvolver e manter outros trabalhos que se fizerem necessários, objetivando o atendimento de pessoas que estão em sofrimento e a função da entidade em se fazer representar junto ao Poder Público e à iniciativa privada.
“Estou feliz co as características misturadas que o Naviporto tomou com pessoas de várias áreas e com pensamentos diversos e me sinto muito segura em tomar esta decisão e que possamos ajudar as pessoas a cumprir seu ciclo biológico até o fim”, ressaltou Wilma agradecendo a todos.

O vice-diretor, Cristiano de Paula salientou que este é um momento em que a  sociedade se apresenta doente, mas, segundo ele, deve haver uma sinergia no universo que conjuga com a gente.

“Estamos num sistema que é o movimento da vida, que é muito poderoso. Vamos lidar com muitas emoções, nos momentos de maior fragilidade do ser humano e precisamos estar preparados”, disse Cristiano.
Integrantes assinando a ata de fundação

Ele concluiu afirmando que o Naviporto inaugura um movimento que “vai fermentar e crescer em nossa cidade mas que irá atender a todo o Estado, com realização de palestras e o atendimento via chat e telefone em breve”, agradeceu Cristiano.

O Naviporto também contará em sua composição com Mario Jonas Guterres, na assessoria jurídica, Celly Regina Bensch Schumacher, segunda Diretora Secretária; Jorge Alberto Elarrat Canto, segundo Diretor Tesoureiro. 

Este blogueiro e aprendiz de jornalismo também participa do Naviporto
No Conselho Fiscal Reginilde Mota de Lima Cedaro, primeira Conselheira; Geovani Berno, segundo Conselheiro; George Carlos Pinheiro, terceiro Conselheiro.

Na coordenação de cursos e treinamentos, Cristiano Corrêa de Paula; para coordenação de palestras, José Antonio Trindade de Souza; para coordenação de atendimentos, Eduardo Schumacher.