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terça-feira, 22 de setembro de 2020

Médicos peritos e a pandemia

Fiquei assustado nos últimos dias com a recusa dos médicos peritos do INSS em retornar ao trabalho devido os riscos de sua profissão e contato com pacientes quanto ao corona vírus. Mais espanto ainda me causou quando fui pesquisar o conteúdo do juramento que todo estudante faz ao sair dos bancos escolares da academia e é recitado, muitas vezes, em uníssono no dia da colação de grau.
“Pesquei” apenas um trecho inicial que diz: “como membro da profissão médica, eu prometo solenemente consagrar minha vida ao serviço da humanidade; a saúde e o bem-estar de meu paciente serão as minhas primeiras preocupações”. Entendo o receio que todos temos no contato com as pessoas e na possibilidade de contaminação pelo covid especialmente no momento em que ainda não temos uma vacina. Entretanto vejo a quantidade de profissionais médicos, enfermeiros, técnicos, laboratoristas, motoristas de ambulâncias, socorristas que não medem esforços para atender toda a população colocando em risco a sua vida e de sua família para salvar pessoas, sem questionar se estão ou não contaminadas pelo vírus. São, sem sombra de dúvidas, soldados da linha de frente, da trincheira, nesta batalha que já ceifou milhares de vida em todo o mundo. Mas, enquanto isso, médicos peritos que podendo tomar todos os cuidados, com Equipamentos de Proteção Individual (EPI) adequados e todas as normas de sanitização, ainda assim se recusam a atender as centenas, milhares de brasileiros. São pacientes não de covid, mas de outras doenças e que necessitam deste auxílio para sua sobrevivência e de sua família. Mas enquanto isso seus gordos contra-cheques continuam a pingar na conta. Se as agências do INSS não abriram, eles não trabalharam nos últimos seis meses e mesmo assim receberam seus vencimentos e agora, só agora, quando se retorna ao trabalho vão brigar por fiscalização e outras coisas mais? Por qual motivo não o fizeram antes? Vejam, não estou aqui para apontar dedos. Mas se os médicos e profissionais da área de saúde em geral podem e estão atendendo a população em geral, por que estes são mais especiais do que todos os demais? O que eles são mais importantes que qualquer ser humano necessitado de atendimento e dignidade? Deixo aqui minha indignação com este real situação que ocorre neste momento em nosso país. Em tempo, eu estou trabalhando de forma normal, apenas me protegendo com máscara e muito álcool 70%. Eles não podem fazer o mesmo? E o juramento feito de “consagrar minha vida ao serviço da humanidade” é muito bonito no dia ou então pregado em alguma parede de consultório. Na prática foi esquecido por alguns. Reforço, por alguns.

quinta-feira, 10 de setembro de 2020

Rituais

 

Acredito que todos nós temos nossos rituais. Ao acordar, sair de casa, chegar no trabalho, sair.... talvez muitos deles os façamos sem nem perceber.

Particularmente eu acordo, coloco a água do café para ferver e costumo sair para o pátio da casa admirar o jardim e o dia que nasce e fazer as primeiras preces de agradecimento por mais um dia que inicia.


Mas ultimamente este meu hábito prazeroso está me provocando sentimentos ruins, tanto que parei de fazer. E explico com uma pergunta. Já tentaram ver o nascer do sol nestes últimos dias? Não me refiro ao pôr do sol, mas ao nascer.

Não se consegue. Hoje ao olhar pela janela do banheiro na hora do banho matinal mal e mal se via uma bola vermelha no horizonte. Ou seja, a fumaça tomou conta de nossa paisagem, de nossa vida, das nossas casas tornando nossa vida cinza e nossos dias sem brilho.

No teatro usamos a fumaça (através de uma máquina onde usamos glicerina líquida) para “desenhar” a luz no palco. Basta olhar nas ruas, lá no skate parque (me refiro a cidade de Porto Velho onde moro) e ver a luz desenhada pela fumaça. Realmente são tempos muito difíceis estes.

Cheguei a brincar (mas usando de muita ironia) com amigos dizendo que esta fumaça vem da França, da Alemanha, pois no Brasil é proibida a queimada.

Meu Deus, meu povo! Não conseguimos fiscalizar nem nossas imensas fronteiras, nem ao menos os supermercados que remarcam preços absurdos e vamos querer controlar as queimadas neste gigantesco território amazônico e no cerrado brasileiro?

Infelizmente, e lamento muito por isso, iremos continuar a sofrer com queimadas e com sua inevitável fumaça enquanto não houver a consciência humana de que é necessário manter nossa floresta em pé. Mas enquanto a ganância humana predominar, enquanto o ganho individual for mais importante que a coletividade continuaremos todos neste sofrimento.

Nem vou aqui me delongar em números de focos de queimadas, aumento de doenças respiratórias pois todos sabemos disso. Quero apenas ter meu céu sempre azul, poder voltar a agradecer a Deus todas as manhãs sentindo o sol no rosto. Enfim, preciso me sentir humano. Vivo, neste grande bioma chamado AMA ZÔNIA.  

Que venham logo as chuvas para nos abençoar e trazer de volta à vida e limpar nossos horizontes. E, claro, deixar nossos jardins mais verdes e meus rituais matinais mais prazerosos.


segunda-feira, 27 de julho de 2020

Distanciamento e hipocrisia



Antes de mais nada, vamos definir o que é hipocrisia, que segundo o dicionário significa “o ato de fingir ter crenças, virtudes, ideias e sentimentos que a pessoa na verdade não possui, frequentemente exigindo que os outros se comportem dentro de certos parâmetros de conduta moral que a própria pessoa extrapola ou deixa de adotar”.
Pois é, acredito que pela generalização, podemos afirmar que a quase totalidade das pessoas civilizadas tem acesso a pelo menos um meio de comunicação e que já são cientes de que existe uma pandemia democrática, ou seja, não escolhe classe social, raça, cor e sexo, e que está matando milhares de pessoas ao redor do mundo.
Diante disso, e apesar de todos os apelos das autoridades sanitárias, muitos que defendem a abertura disso e daquilo, na verdade estão defendendo o próprio umbigo e sendo hipócritas. Isso porque acho, sinceramente, que se tomadas as devidas precauções no comércio, pouco risco se correrá. Repito, tomando todas as medidas sanitárias necessárias.
No entanto, ainda sou cético e contrário ao retorno das aulas e academias, por exemplo, devido ao alto risco de contaminação, exceto se me provarem o contrário.
Mas o que acontece na verdade é que ao se abrir o comércio, muitos acharam que havíamos vencido a Covid-19, que estávamos imunes. Ledo engano. Fiquei assustado ao assistir reportagem nesta manhã mostrando as praias em diversos pontos do nordeste onde as pessoas, além de aglomerarem não davam a menor bola para as proteções simples, como o uso de máscara.
Com certeza estas criaturas serão as mesmas que aparecerão chorando nas matérias sensacionalistas, pois não conseguiu um leito de UTI, um respirador para seu ente querido. Hipócritas.... infelizmente este é o termo. Estou generalizando, sim. Alguns serão contaminados mesmo sem sair de casa devido à irresponsabilidade destes seres desprezíveis que ainda não entenderam que é preciso respeitar para ser respeitado. Se preservar para resguardar o outro.
Pessoal, os números não mentem. E estão subindo exponencialmente a cada dia após as liberações e reaberturas de comércio e outras atividades. Em Porto Velho mesmo, a quantidade de gente que vejo caminhando nos parques sem a proteção de máscara é incrível. E onde fica o respeito a sua vida e a do outro? Claro, como ele é um hipócrita, o dever de se proteger é do outro, nunca meu. A culpa pela disseminação é do outro, nunca minha.
Enquanto se pensar desta forma seremos todos hipócritas. Cuide-se, pelo bem de todos!  

terça-feira, 21 de abril de 2020

Não podemos pensar em um país de futuro querendo reviver o passado


Lembro-me do desejo em continuar a fazer teatro após uma rápida experiência na escola primária, em Santa Maria (RS) com a atriz Marilu Marin (in memorian) enquanto cursava a 8ª série do Instituto de Educação Olavo Bilac. O ano era 1985. Então já cursando o antigo 2º Grau na Escola Cilon Rosa veio o convite para fazer o curso de iniciação teatral do Grupo Presença, à época um renomado grupo comandado pelo meu querido Pedro Freire Junior (in memorian). 
Fiz o curso e ingressei no grupo. Tinha tenros 15 anos quando fiz minha primeira apresentação em teatro adulto, para mim, à época, uma imensa responsabilidade. Especialmente por estarmos em um processo de transição, pois estávamos saindo de 20 anos de ditadura militar e entrando na redemocratização. Como havia até então vivido em uma família extremamente conservadora, passei alheio a minha infância e início da adolescência por este período ditatorial.
Foto do espetáculo "O Berço do Herói"de Dias Gomes
que originou a novela "Roque Santeiro", também censurada.
Montagem grupo Raízes do Porto - não recordo o crédito do fotógrafo
No entanto, ao ingressar em grupo comandado por uma pessoa extremamente politizada e que havia sido preso por duas vezes durante o regime, você começa a ver o mundo por outro prisma, por outra realidade. Aos quinze anos passei pela experiência de me apresentar para um censor da Polícia Federal (creia, uma figura sisuda, séria) que à véspera da estreia nos diria se podíamos ou não apresentar e qual a faixa etária recomendada. Após, era expedido um certificado de liberação, que deveria estar exposto à entrada juntamente com um cartaz com a faixa indicativa de idade.
Meu primeiro espetáculo foi uma provocação do Pedro ao sistema. Ele montou nada mais nada menos que “Moço em estado de sítio”, do Oduvaldo Viana Filho. Peça que já havia sido censurada pelo sistema. A segunda? “Eles não usam Black-tie” do Gianfrancesco Guarnieri. Ou seja, comecei bem. E com a politização iminente em um país que se preparava para a transição, elegia um presidente por via indireta e em breve reformularia uma Constituição, que seria chamada pelo grande Ulisses Guimarães de Constituição Cidadã. 
Para meu espanto, 35 anos após tantas conquistas, tantas lutas e vitórias, o povo brasileiro se vê, estarrecido, à possível iminência de uma volta ao passado, de um retrocesso cívico imenso, que é justamente se ver privado de suas liberdades constitucionais. Sinceramente, não consigo vislumbrar o país dando este passo para trás. Enquanto o mundo se livra de ditadores e opressores do povo, aqui se quer a volta ao passado. E o pior, a pedido de uma parcela considerável da população.
O que considero pior nisso tudo é que o próprio povo que deseja isso, até pouco tempo atrás pedia a saída de um governo que “namorava” com ditadores, investia em países comandados por governantes autoritários e que pela opressão se perpetuavam no poder. Por isso fica difícil entender esta parcela da população.
Pela ótica dessas pessoas, em governos militares não há corrupção (o que não está provado, pois quem seria louco de denunciar algo?). Ora senhores, se o problema é este, temos o sistema democrático e de direito que inibe tais práticas e se alguém for comprovadamente corrupto, responderá criminalmente por seus atos. É pelo voto e pela vontade popular que se modificam as coisas, mas nunca pelos retrocessos em conquistas adquiridas. Só se mexe se for para melhorar a vida de todos, o que não se justifica os pedidos de fechamento de Congresso (Câmara e Senado) e Superior Tribunal Federal.
Por isso conclamo a todos para pensarmos um país melhor, mas pelas vias democráticas. Nosso país não aguenta mais a derrubada de governantes por pensar diferente. Se o atual está ruim, que se critique, que se peça impedimento, mas tudo pelas vias legais, constitucionais. Sem golpes. E mais, a quem pede o retorno do AI-5, está no mínimo mal informado, pois foram editados 17 Atos Institucionais no país e (Deus nos defenda que não ocorra mais) se outro for publicado, será o AI-18.
Por isso, meu queridos amigos, quero continuar a produzir meus espetáculos, minhas propagandas, meus conteúdos sociais sem precisar passar pelo crivo moral e de pensamento de uma pessoa do “sistema” carregada de pré-conceitos, preconceitos e sabe-se mais lá o quê?  Afinal, não vivemos, ainda, na visão do “Grande irmão” a nos espionar. Não podemos querer lutar por um país em que tenhamos um futuro melhor desejando voltar ao passado. 

quinta-feira, 4 de abril de 2019

As memórias de um espermatozoide careca



Quando convidei Suely Rodrigues para dirigir uma peça de teatro que deseja montar, estava vivendo um momento muito triste em minha vida e precisava de algo para ressignificar minha existência. Estava há quatro anos sem fazer teatro e vivia um princípio de depressão devido a uma separação bem traumática e que me jogou na lona. Sim, artista humorista também passa por estas coisas. Somos gente e temos (e muita) emoção.


Bem, essa conversa com a Suely foi em 1998 (somos velhinhos já) mas que foi se concretizar somente em 2000, quando a deprê e a solidão bateram à porta e eu não deixei entrar, preferindo gastar toda a minha energia em não olhar para trás e remoer tudo o que perdi, mas sim mirar o horizonte e investir tudo o que não tinha na realização de um sonho.
E foi assim que em 1 de novembro de 2000 nasceu “Confidências de um espermatozoide careca”, um monólogo, que em princípio poderia ser chato para o público, mas com a intervenção da direção em colocar um outro ator deu dinamicidade ao trabalho.
Não vou dizer que foi fácil porque não foi. Foram seis meses de árduo trabalho, ensaios e, posteriormente, de uma corrida por apoios e patrocínios. Lembro de cada um em quem ainda sou grato, como a Uniron (Fernando e Basílio), Unimed à época comandada pela Drª Ida Perea e pelo Luis Fernando (hoje secretário de Estado); ao supermercado Gonçalves (Sergio), Junior Sun; mas tem um patrocinador que não queria nem que colocasse o nome dele no panfleto, mas achei injusto, pois graças a ele consegui montar o cenário e confeccionar todo o figurino. Refiro-me ao Luismar do grupo Milla.
Na época tivemos um parceirão que jamais vou esquecer que foi o nosso querido Sesc e o amigo Tico Marinheiro e Julio Yriarte. Isso sem falar na imprensa local que sempre divulgou, sem restrições, nosso trabalho, abrindo portas para entrevistas, divulgação de releases e agendas e entrevistas em programas nobres.
Durante todo este tempo de idas e vindas muita gente passou e assistiu ao espetáculo. Não só Porto Velho, mas o festival de teatro em Rio Branco, Ji-Paraná e Cacoal com o apoio na época da Brasiltelecom (hoje Oi) que foi fundamental neste processo. Cacoal ficará sempre na memória com as três apresentações em uma única noite, sendo que a última iniciou as 23h30 me deixando esgotado, mas feliz por tamanha receptividade.
Só poderia concluir este pequeno artigo com mais agradecimentos. A Deus, a Suely por ser minha irmãzona e aos “espermatozoides” que me acompanharam nestas jornadas pela vida, iniciando com o Ery Oliveira, Odinaldo Silva, Juraci Junior e Jailton Viana.
E também a todos os integrantes do grupo Raízes do Porto que não mediam esforços para auxiliar nas montagens e dar suporte para que as apresentações ocorressem. Arlete, seu Osias, Kenny, Zaine, Alexandre, Felipe, João... a lista é grande. A vocês o meu mais profundo sentimento de gratidão. A apresentação desta quarta-feira (3) de abril ficará marcada não como mais uma, mas como “a apresentação”, o retorno, a retomada. Saibam que tudo o que está aqui escrito passou como um filme ontem em minha cabeça e quase me levou às lágrimas em cena. Mas que agora elas rolam fáceis, libertas pela emoção deste jornalista que teima em ser ator. Ou seria o contrário?

quarta-feira, 13 de março de 2019

Rondônia: do fio ao satélite

Trecho da BR 364 em Rondônia


Há algum tempo venho observando, estudando e fazendo parte da comunicação no estado de Rondônia. Seja como publicitário recém formado, lá no século passado em fevereiro de 1996, pela UFSM, no Rio Grande do Sul, ou como jornalista graduado na Uniron desde 2011, em Porto Velho.
Como já atuava em Santa Maria, mesmo antes de colar grau, tenho mais de 25 anos de trabalho em comunicação. É uma bela história. Mas nada que se compare as lutas de homens para conquistar e interligar o centro do poder administrativo aos rincões esquecidos do Noroeste brasileiro.



O professor e doutor em comunicação Jacques Wainberg esclarece em seu livro ‘Casa Grande e Senzala: com antena Parabólica’, que as “redes comunicacionais são pré-requisitos à fixação do ser humano no espaço, à superação do isolamento e da solidão e ao desenvolvimento da vida comunal”. E este era o projeto de interiorização do país, com a finalidade de manter o homem ocupando o espaço amazônico para que este não fosse ocupado pelos vizinhos limítrofes.
As primeiras tentativas de comunicação no território que hoje denominamos de Rondônia foram com a Estrada de Ferro Madeira-Mamoré, iniciadas ainda no século 19, mas concluídas somente em 1912, onde os primeiros jornais que circulavam eram editados na língua inglesa, e, com a linha telegráfica capitaneada pelo Marechal Rondon, que também aqui aportou neste período.
Estes sim, pioneiros da comunicação e que sofreram e passaram por grandes intempéries nesta mata ainda selvagem e que ceifou milhares de vidas, seja na construção da ferrovia ou no desbravamento da mata, no Ciclo da Borracha, onde eram atacados por índios e pelo maior inimigo do homem, o mosquito da malária, responsável direto pelo grande número de baixas.
Trem da Madeira-Mamoré
Muitos anos se passaram e o trabalho desempenhado por Rondon e seus homens não foi esquecido, pois o traçado delineado pelo grande sertanista brasileiro serviu como balizador para a construção da BR 029, posteriormente denominada BR 364. De nossa ferrovia pouco restou além de um cemitério de ferros jogados pelo caminho dos trilhos e poucos objetos e galpões que a muito custo estão sendo restaurados. E ela continua interligando “nada a lugar algum”.
Além dos já citados, muitos outros pioneiros da comunicação precisam ser lembrados e reverenciados como Phellippe Daou, Osmar Silva, Adair Perin, padre Vitor Hugo, Euro Tourinho, Mario Calixto, Emir Sfair e família Gurgacz, entre tantos outros que ajudaram a estes visionários a construir o que hoje temos como veículos de comunicação no Estado de Rondônia.
Refiro-me aqui aos desbravadores, mas não se pode esquecer que na atualidade, com o grande potencial que a internet nos legou, surgiram centenas de sites eletrônicos voltados a informação, mas destaco os pioneiros Rondoniaovivo.com,Rondoniagora.com, Rondonotícias, Rondoniadinamica.com.br, Oobservador.com,tudorondonia.com, entre outros.
E assim nasceu Rondônia, lá nos idos de 1981 e, nestes quase 40 anos, em termos de comunicação desenvolveu-se muito bem, apesar de que, ainda em alguns distritos falte a comunicação via celular, mas que está chegando, pois como diria o grande educador Paulo Freire: “sem comunicação não há sentido a vida humana”.
O sinal de internet já chegou a algumas aldeias indígenas para auxiliar na mediação tecnológica e disseminar o conhecimento sem necessidade de deslocamento da aldeia para os centros urbanos.
Aldeia Indígena recebe antena
 para internet
A comunicação, que no caso da Região Amazônica chegou para interiorizar e fazer com que o espaço fosse ocupado, hoje, apesar das grandes distâncias e do desafio de se manter conectado, consegue chegar aos centros populacionais com boa qualidade e se espera que com o aperfeiçoamento das tecnologias se consiga ir além e possibilitar a todos os ribeirinhos o acesso a informação e ao conhecimento, aí sim, criando um país conectado que passou do fio as redes sem fio da informação.

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2019

A polêmica Lei Rouanet* (II-II)



Retornando aos aspectos da Lei Rouanet, as alterações foram basicamente doze. O primeiro fala sobre os critérios de inscrição do projeto, onde o interessado precisa comprovar que realizou, nos últimos dois anos, ação na área cultural que tenha relação com a proposta apresentada. Os produtores que estejam se inscrevendo pela primeira vez estarão isentos desta exigência. Neste caso o MinC estabelece um teto de R$ 200 mil pelo projeto.
Após a inscrição, o processo de aprovação do projeto é dividido em três etapas que consiste na análise técnica de parecerista, análise e sugestões da Comissão Nacional de Incentivo à Cultura (CNIC), e aprovação do MinC (autorização para captação e publicação no Diário Oficial).
Com a nova regra, após apresentar o projeto e haver admissão, o proponente receberá um número de inscrição e autorização para captar 10% do valor aprovado, e o projeto segue para a fase de análise e sugestões (CNIC) apenas se captar os 10% do valor total.
Os recursos serão movimentados por cartão magnético e o limite de saque diário passa a ser de R$ 1.000,00. A movimentação dos valores e a prestação de contas serão realizadas online e poderão ser acompanhadas em tempo real, através do Portal de Transparência.
Os cachês passam a ter exigência prévia, que são R$ 30 mil para artista solo e R$ 60 mil para grupos. Em caso de orquestra, R$ 1,5 mil por músico e até R$ 30 mil para maestro. Valores maiores terão que passar por aprovação do CNIC. Custos relacionados a direitos autorais e conexos seguem com limite de 10% do valor total do projeto.
Os ingressos também passam a ter valor máximo de R$ 150, equivalente a três vezes o benefício do vale-cultura (R$ 50). A regra não altera a cota de 30% de ingressos gratuitos e a de 20% de entradas com preço limitado ao valor do vale-cultura.
Uma das alterações da lei beneficia algumas regiões como os projetos a serem realizados integralmente nas regiões Nordeste, Norte e Centro-Oeste, que terão teto de captação 50% maior, isto é, de R$ 15 milhões. Caso os produtores atinjam o limite de R$ 40 milhões, lhes serão permitidos apresentarem novos projetos de até R$ 20 milhões, desde que também sejam destinados a essas regiões. 
Estas são as principais alterações, tendo também a nos limites para projetos artísticos; a cota de recursos, cujo valor máximo passa a ser de R$ 700 mil para MEI e pessoa física; R$ 5 milhões para empresário individual; R$ 40 milhões para Empresa Individual de Responsabilidade Limitada (EIRELI), Sociedades Limitadas (Ltda.), e demais pessoas jurídicas.
Cada projeto passa a ter o valor máximo de captação estabelecido em R$ 10 milhões, com limite de R$ 40 milhões para projetos simultâneos de um mesmo proponente. Projetos com temática de patrimônio, da área museológica e Planos Anuais, não terão limite de valor.
Caso haja alteração no valor de algum item no orçamento, ela poderá ser feita sem justificativa ou autorização do MinC, desde que seja dentro do limite de 50% e os projetos audiovisuais passam a ter teto fixos: R$ 800 mil para média-metragem; R$ 600 mil para mostras e festivais; e R$ 50 a R$ 300 mil para sites e séries na web.
As alterações realizadas em 2018. Com o governo Bolsonaro ainda não se sinalizou o que será feito efetivamente, tendo em vista que o Ministério da Cultura foi incorporado pelo Ministério da Cidadania e Ação Social.  O que esperamos é que a cultura e a Lei Rouanet não sejam vistos como inimigos do povo, mas como procuramos demonstrar, como mola propulsora de desenvolvimento econômico e social da população.   
A obrigatoriedade da venda de ingressos a determinadas categorias pela metade do valor, ou seja, 50% de desconto, também prejudica aqueles produtores e companhias que não se utilizam de leis de incentivos para a realização de suas produções.
Isso se deve ao fato de que, ao executar um projeto, não se paga para a costureira, ao cenógrafo, ao ator, ao eletricista, ao artista gráfico que cria a arte de divulgação, entre outros, somente 50% do valor. Ou seja, a produção é valor cheio, integral.
Com isso o que queremos salientar é que o produtor e o artista são penalizados, sempre. Além dos custos de produção e divulgação, ao se realizar um evento, se paga taxas aos órgãos públicos municipais para liberação da montagem e impressão dos ingressos. Além disso, 5% da venda de cada ingresso vão para Prefeitura. E o que se faz com este recurso? Investe-se em novos projetos? Não há uma destinação para um fundo que contemple a área.
Além disso, caso o texto encenado não seja de autoria própria se paga 10% da bilheteria ao autor do texto (considero justo), bem como se paga direitos por uso de músicas outros 10%. Com isso, só se paga impostos, taxas a quem não auxilia em nada a produção, ao contrário, “são sócios que só lucram, sem nada investir” (grifo do autor).
Portanto, e para finalizar, saliento a importância da cultura, da memória dos festejos e movimentos artísticos culturais. Nas palavras de Emília Viotti da Costa "Um povo sem memória é um povo sem história. E um povo sem história está fadado a cometer, no presente e no futuro, os mesmos erros do passado."
Geovani Berno (geovani.berno@gmail.com)
DRT/RO 1305