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sexta-feira, 19 de março de 2021

Até onde vai a queda de braço entre governo e público

 

Lembro de março de 2020 quando iniciamos a quarentena para conter o avanço do coronavírus no país. Em Rondônia, mais especificamente, onde ainda desconhecíamos o poder destrutivo deste inimigo invisível, a grande parte da população obedecia as diretrizes sanitárias, permanecendo em casa, usando máscara, protegendo idosos, não aglomerando em festas, bares e similares fechados. Mas e agora, o que mudou?

Mudou que as pessoas até pouco tempo atrás, com o vírus relativamente controlado, se acharam livres e imunes ao vírus e se alvoroçaram saindo de suas tocas e dando início a grandes aglomerações em bares, festas públicas e particulares, parques, praias, shoppings.

Enquanto número de mortos só aumenta,
população continua aglomerando
 em espaços públicos e sem proteção...

Enfim, simplesmente cansaram de se cuidar e a pressão do marketing e do comércio para que tudo fosse reaberto acabamos por dar um passo maior do que as pernas e acabamos na situação em que nos encontramos.

Não, não sou a favor de lockdown geral por acreditar que não resolverá a totalidade, mas sim sou a favor de um controle e fiscalização maior. A questão não é o comércio abrir, mas sim, a grande movimentação de pessoas que provoca para que tudo funcione, o que provoca aglomerações nos transportes públicos, por exemplo.

Hoje muitos comércios nem oferecem mais álcool em gel. Tapetes sanitizantes ninguém nem lembra mais que existe. A hipocrisia maior está nos aeroportos, onde somos obrigados a manter distanciamento nas filas de acesso às aeronaves, mas dentro dos aviões a aglomeração é geral, não há distanciamento de pelo menos aquela cadeirinha do meio ser deixada vazia.

E com isso chegamos a números assustadores de transmissões e mortes. O pior ainda está por vir devido a superlotação dos hospitais, tanto públicos quanto privados. Muita gente vai morrer sem assistência médica adequada. Por este motivo, a prevenção ainda é o melhor remédio.

Não há necessidade de “chover no molhado” e mandar usar máscara, usar álcool em gel (se bem que prefiro muito mais uma mão bem lavada com sabão do que usar o álcool) entre outras atitudes como não chamar amigos para comemorar o aniversário (mesmo que em sua casa), não reunir a galera no sítio, não compartilhar narguilé, chimarrão e tererê. São atitudes simples que combatem o vírus. Os especialista dizem que ele é vagabundo, morre com facilidade, mas quando infecta é muito perigoso, e com as aglomerações ele se fortalece através das mutações. Por isso é necessário mais do que ações do poder público, mas de cada um em evitar estes contágios.

Se tudo isso ainda não é suficiente pra você, aviso que as funerárias não estão dando conta do recado. Sim, está na iminência de faltar caixões para enterros. Os cemitérios estão superlotados. Mas se mesmo assim você insiste, boa sorte!

Por último, vou só expor alguns números. Desde que iniciou a pandemia já tivemos em Rondônia 170.515 casos, com 3.519 mortes. São quase 4 mil rondonienses que deixaram filhos, netos, tios, avós, muito tristes, desconsolados. Dentre estes muitas famílias foram desfeitas. Filhos ficaram órfãos, literalmente sem pai e sem mãe. E você está cansado de ficar em casa? Não aguenta mais? Eu também, mas prefiro me afastar de amigos, familiares do que ser afastado definitivamente e ficar isolado em uma UTI, intubado, inconsciente, ou sob sete palmos de terra. E você?

 

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2021

Se o discurso da esquerda não mudar, Bolsonaro tem sérias chances de reeleger sim

 

Meus amigos, havia me prometido não escrever sobre política em minhas colunas e observações, até para me resguardar, tendo em vista que não sou um analista. No entanto, somos seres movidos a política e observando fatos de um passado recente e atuais, a escrita foi inevitável.

Lembro que Lula, por exemplo, tentou a presidência do Brasil por quatro vezes. Nas três primeiras não obteve sucesso. Por quê? Pois era um homem raivoso da esquerda, lutando contra “tudo isso que aí está”, sem, no entanto, apresentar uma proposta, uma ideia de país melhor.

Eis que surge Duda Mendonça em sua vida e propõe (isso na quarta eleição) uma reformulação. Não só da pessoa do Lula, mas do partido em si. O discurso muda para tons mais suaves. O então candidato repagina o visual e começa a apresentar propostas para o país entre elas reforma administrativa, previdenciária, financeira, acabar com a corrupção e com “tudo o que está aí”.

Pois bem, deu certo! O povo brasileiro comprou a ideia mais moderada. Enquanto presidente melhorou muita coisa. No entanto, as reformas tão propaladas nunca, nuca saíram do papel, pois vendeu o governo ao “centrão” e teve de lotear o governo para poder governar. E adeus reformas e dá-lhe corrupção” Que não vou entrar no mérito para não “chover no molhado”.

Pois bem. Tudo até andava bem, até que surge um cara que resolveu “peitar” o que estava estabelecido, sendo “contrário a tudo o que estava acontecendo” com o país e falando aquilo que o povo brasileiro queria e precisava ouvir. Um novo país, sem corrupção, salvar a Petrobras, as famílias, acabar com o politicamente correto etc, etc, etc...E assim aconteceu.

Dois anos após sua eleição, Bolsonaro para poder governar vende sua alma ao “centrão” também. E pela sua língua afiada acaba por falar coisas que um presidente jamais deveria expor em público (“eles querem a nossa hemorróida”, só para ficar em um exemplo) e não está conseguindo fazer as reformas tão propaladas.

Agora chego ao ponto que desejo para expor minha teoria. A classe média e pobre está sofrendo demais com a pandemia (perda de renda, empregos e inflação mascarada) e começa a se insurgir contra seu líder a quem confiaram.

A esquerda vocifera, mas, no entanto, não apresenta uma proposta de mudança. Uma alternativa sequer que se possa vislumbrar como salvadora.  São “apenas” contra o Bolsonaro. Isso não basta para atrair olhares e votos em 2022. É preciso mais. É preciso reflexão e a construção urgente em cima de um nome de um discurso moderador e que possa ser visto como alternativa a “tudo isso que está aí”.

Quem não lembra do nosso ministro da economia afirmando em rede nacional que se o dólar chegasse a R$ 5 “algo de muito errado estaria sendo feito”. Pois bem, está batendo às portas dos R$ 6 e ninguém se insurge contra isso? Um quilo de carne custar R$ 40? Gasolina a R$5 o litro? Mas quando era “somente” um deputado o Bolsonaro soube fazer discurso demagógico criticando a política de preços da Petrobras (tenho o vídeo para provar), mas quando assumiu jamais fez algo para mudar.

Enfim, se os contrários a tudo isso que está aí não se unirem em torno de algum nome e não construírem um discurso plausível, uma proposta de mudança para o país, pode esquecer. Bolsonaro será reeleito. Vocês têm 18 meses para isso senhores.  

sexta-feira, 22 de janeiro de 2021

O beijo da morte completa oito anos de impunidade

 

No dia 27 de janeiro de 2013 ocorria uma das maiores tragédias já vistas no Brasil. O incêndio da Boate Kiss, na cidade de Santa Maria (RS) completa, neste ano, 8 anos de impunidade. Naquela noite de janeiro, jovens universitários comemoravam o acesso ao ensino superior em uma festa na boate quando um integrante da banda que animava o evento fez uso de fogos de artifício fazendo com que o  isolamento feito de espuma pegasse fogo, provocando pânico e tumulto e que acabou por matar por asfixia (direta no local e muitos posteriormente) 242 jovens e deixando outros 636 feridos.

Prédio da Kiss deve dar lugar a memorial
Foto: Geovani Berno

Mas, após oito anos de impunidade, os julgamento terão início em fevereiro, apesar do Ministério Público do Rio Grande do Sul ter entrado com pedido de adiamento para que todos os réus fossem julgados no mesmo local e dia. O ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ) Rogerio Schietti Cruz negou os pedidos e um dos quatro réus acusados pelas mortes no incêndio da Boate Kiss, será julgado em data destoante dos outros três. O MP Gaúcho alegava que ao se dividir os julgamentos poderia ocorrer decisões divergentes.

Segundo o Jornal do Comércio, com a decisão, o julgamento de Luciano Bonilha Leão, o único réu que não pediu a transferência de local e será julgado em Santa Maria, deverá ser realizado no próximo dia 16.O Tribunal de Justiça gaúcho determinou que Mauro Londero Hoffmann e Marcelo de Jesus dos Santos serão julgados com Elissandro Callegaro Spohr em data ainda a ser definida.

O jornal também esclarece que Mauro e Elissandro (sócios da casa noturna) e Marcelo e Luciano (integrantes da banda que apresentou show pirotécnico na noite do incêndio) foram denunciados por homicídio duplamente qualificado (motivo torpe e emprego de meio cruel) por 242 vezes e tentativa do mesmo crime por mais 636 vezes, que é o número de sobreviventes identificados.

O que a população em geral quer e, em especial os familiares de todas as vítimas da Kiss, que seja dado um lenitivo da Justiça, ou seja, que os culpados recebam uma condenação justa, tendo em vista o assassinato em massa que provocaram por negligência. Que a punição seja de forma exemplar para que ações iguais a esta nunca mais se repitam. 

242 famílias esperam por Justiça 

Outro ponto que é necessário ser levantado é a transformação do local onde funcionava a boate Kiss em um memorial. Já há projeto aprovado, mas não há verba. Que as autoridades públicas tenham um pouco de decência e deem a destinação a este ponto de horrores em algo para ser lembrado para sempre, em memória daqueles que se foram de forma tão trágica, sem direito a despedidas e com requintes de crueldade.

quinta-feira, 14 de janeiro de 2021

Todo gestor público deveria andar a pé em sua cidade

 

Voltando a escrever em 2021 após alguns dias de recesso onde fui, com muito cuidado e zelo, visitar minha mãe no Rio Grande do Sul. Mais precisamente em Santa Maria. Sim, aquela da Boate Kiss que ceifou a vida de 241 jovens e os culpados continuam impunes (escreverei oportunamente sobre a tragédia que dia 27 completa 8 anos).

Em referência ao título, como em Santa Maria não existem pistas de caminhadas (até existem em alguns pontos da cidade, mas fechados devido a pandemia) como aqui temos em Porto Velho o Skate Park e o Espaço Alternativo, só para citar os mais famosos e maiores. Com isso, quem deseja praticar o saudável hábito da caminhada necessita se aventurar nas calçadas da cidade.

Assim como Porto Velho, Santa Maria também
foi uma cidade ferroviária

Desta forma, me deparei com uma série de pequenos problemas que a grande maioria das cidades enfrenta, mas que os gestores públicos acabam por deixar pra lá. Mas pelo lado positivo acabamos por ver a cidade com outros olhos e em mais detalhes.

Com as caminhadas redescobri minha cidade (pelo menos a zona mais central por onde caminhei). E percebi que é um problema crônico que nos afeta também que são as calçadas. Ora esburacadas, mal conservadas, ora fora de padrão. Esta situação deixa a desejar em acessibilidade a pessoas com necessidades especiais de locomoção e com problemas de visão. No entanto, perdemos feio em civilidade, pois grande parte dos semáforos e faixas de pedestres são muito bem sinalizados.

Outro problema crônico são os terrenos –poucos é bem verdade – abandonados em áreas nobres da cidade. Mas o que mais me chamou a atenção nesta visita de poucos dias é o descaso com as praças públicas. Quando era criança/jovem as praças eram atrativo para as famílias. Íamos brincar mesmo sem os pais. Desta vez me surpreendi com o abando da manutenção e a ocupação por usuários de drogas que consomem seus baseados natural e despreocupadamente.

Nas caminhadas também percebi a preocupação de parcela consciente da população em se proteger com a utilização de máscara. Pouquíssimas pessoas sem o acessório obrigatório, exceto nos bares e restaurantes.

Outro ponto que merece a atenção é a implantação da Zona Azul, que por estas bandas é tão contestada, e por lá muito utilizada em toda região considerada central. Os pontos de estacionamento foram muito reduzidos, permitindo maior fluidez no trânsito. Nos locais permitidos e com Zona Azul paga-se a partir de 15 minutos. Com isso também cresceu muito os estacionamentos particulares e a utilização do transporte coletivo, taxis e aplicativos, que por ser mais barato que duas horas de estacionamento, por exemplo, acabam por compensar o uso.

Com estes poucos exemplos citados, quero deixar claro que não é uma crítica, mas um pedido aos nossos gestores. Andem por nossa cidade. Conheçam verdadeiramente nossa cidade. Sintam na pele o que a população passa para que se busquem soluções criativas aos problemas mais simples, para que estes não se agravem.

A mobilidade urbana será, juntamente com o problema do lixo, água e saneamento, um dos mais graves problemas a ser enfrentado pelo atual e futuros gestores, tendo em vista que a cidade irá crescer, o número de pessoas circulando será maior e a quantidade de carros também. Portanto, pensar a cidade para os próximos 50 anos (pelo menos) é vital.

Fica então meu apelo para que todos nós caminhemos pela nossa cidade e descubramos a dor e a delícia de viver aqui. Apontar soluções criativas, ajudar na melhoria e na qualidade de vida. Este também é nosso papel. Portanto, caminhemos. E a realidade de sua cidade, como é? Diferente dessa que descrevi?

 

 

sábado, 5 de dezembro de 2020

Por que sou contra um novo lockdown total

Desde que passamos a (con)viver com a ameaça do novo coronavírus, sua rápida transmissão e possível alta taxa de mortalidade, vivemos com a seguida orientação do isolamento e dos cuidados de higiene e uso de máscaras, na tentativa de evitarmos a disseminação do vírus e o contágio de pessoa para pessoa, pois o mesmo se propaga facilmente pelo ar penetrando nas mucosas da boca, nariz e olhos. Vindo da China, o vírus se propagou rapidamente e de endemia se transformou em pandemia atingindo todos os continentes sem distinção de classe, cor, sexo e idade. Digamos que é um vírus democrático, pois não escolhe vítima para sua propagação, apesar da aparente letalidade maior em pessoas idosas e portadoras de doenças crônicas. Desta forma, desde o início da doença, quando se percebeu a sua rápida disseminação, o isolamento social, foi decretado o fechamento de todos os estabelecimentos comerciais, cinemas, teatros, escolas, igrejas, templos religiosos. Famílias foram separadas, avós não podiam (ou tinham de evitar) o contato com netos, abraços foram negados e uma série de restrições impostas. Em muitos lugares o isolamento funcionou e a propagação do vírus e a conseqüente mortalidade foi reduzida. Em outros lugares isso não ocorreu. Por quê? Por uma simples razão: o descumprimento do isolamento e a farta realização de festividades às escondidas. O fechamento de todo o comércio causou sérios prejuízos à economia mundial, com desemprego e tantas outras consequências que ainda não chegaram na totalidade e serão sentidas um pouco mais pra frente.
Crédito: Secom-RO
No entanto, se tivéssemos aprendido a lição do respeito ao distanciamento e do uso correto de todas as medidas de proteção, muitos fechamentos poderiam ser evitados. Mas o homem é desrespeitoso para consigo mesmo e com o próximo. Vejamos. Se ao invés de fechar todo o comércio fosse feito um revezamento de funcionários com todos os controles sanitários que conhecemos hoje, a limitação de pessoas nos estabelecimentos (até porque mercados, farmácias e postos de gasolina não fecharam as portas) e também isolássemos as pessoas de risco elevado, acredito que não estaríamos neste patamar de casos e mortalidades. Um outro fator preponderante para o crescimento vertiginoso no Brasil foi as Eleições. Poucas pessoas falam e tem coragem de falar, mas a campanha contribuiu, e muito, com o crescimento de casos. Tanto que após o fechamento das urnas, muitas cidades retornaram ao isolamento e fechamento de bares, restaurantes, etc. As comemorações de vitórias nas urnas foi um desrespeito a quem cumpre isolamento e distanciamento social, pois escancarou nas redes sociais festas com dezenas de pessoas sem o menor cuidado. As festas com altíssima concentração de jovens não pararam. Os bares (refiro-me especialmente a Porto Velho) estão lotados. E de nada adianta limitar em 50% o número de pessoas, pois se foram as festas é para se divertir e o que mais querem é se abraçar, beijar na boca e ser feliz. Não é isso o que dizem? Pois é, mas também levam o vírus para dentro de suas casas e com isso, a multiplicação exponencial do número de casos. Por estes e mais uma série de fatores, que sou contra um lockdown total, pois não resolverá. Mas sim, sou favorável à restrição seletiva de aglomerações com forte fiscalização policial e também ao toque de recolher às 22h. Ninguém precisa, neste momento, ficar na rua após este horário (salvo a quem trabalha em plantões, por exemplo). Portanto, se as autoridades sanitárias orientarem corretamente e o Executivo ouvir, se poderá sim fechar de forma seletiva e com limitações o comércio e se conseguirá viver e con(viver) neste (argh, odeio este termo, mas vá lá) “novo normal”, que segundo as autoridades japonesas, teremos de aprender a viver por pelo menos mais um ano e meio até que as vacinas estejam totalmente disseminadas e aplicadas na população. O que quero dizer com tudo isso, que não sou um especialista em saúde pública, mas um analista do que vejo e leio. E que não aprendemos ainda viver em sociedade. Que somos egoístas por natureza, daqueles que dizem: “se eu estiver bem o resto que se exploda”! Portanto, amigos, se não formos (re)educados neste sentido de que se eu prejudicar o próximo estou fazendo mal a mim mesmo, nada mudará e não terá lockdown que dê jeito. Portanto, é melhor aprendermos a ter bons hábitos, entender que aglomerações em grandes eventos só serve para matar gente e que precisamos viver assim por um bom tempo e reaprender a sermos sociáveis. E que comecem as críticas...

quinta-feira, 19 de novembro de 2020

Vencendo preconceitos e a obesidade

Para quem me conhece sabe que sou obeso desde a infância. Não lembro de me olhar uma única vez no espelho nestes meus 51 anos e ver uma silhueta esbelta, esguia. Digamos assim, dentro dos padrões normais. E este fato me trouxe muitos dissabores em toda minha vida. Na escola era sempre o último a ser escolhido no time de futebol; nas aulas de educação física o último a concluir os exercícios, as corridas; era o rei dos apelidos como rolha de poço, baleia entre outros mais “carinhosos”; sobre namoradas, nem vou tocar no assunto, pois seria deprimente. Comprar roupas para gordo há 30, 40 anos nem se fale... Com certeza, se tiver algum outro obeso lendo o artigo irá se identificar em muitos pontos. Já chorei muito, me rebelei demais com os apelidos e acabei por me conformar e a conviver com este “sofrimento” chamado obesidade. Mas nem por isso saí por aí atirando em ninguém e nem pensei em bobagens para comigo mesmo. Nestes anos (e que me lembro desde os 8 anos, por aí) lembro de minha mãe me levando a especialistas para tentar regimes milagrosos que me fizessem emagrecer. Até em aula de ginástica olímpica eu fui fazer, mas só ganhei um pouco da agilidade e elasticidade que guardo até hoje, mas o peso continuou. É evidente que já estive em alguns momentos mais gordo, noutros menos gordo. Mas depois que passei os três dígitos (e isso foi lá pelos 15 anos) não lembro de algum dia ter baixado. E assim cheguei a inacreditáveis 147kg. Neste momento percebi que era hora de mudar e consegui com remédios e acompanhamentos chegar próximo dos 100kg novamente, mas sempre que parava o efeito sanfona retornava e o peso ia bater em 125kg rapidinho. E assim foi minha vida. Até que...
Em 2018 após umas férias com a família no sul vi umas fotos e não gostei do que vi. E resolvi que era chegado o momento de uma atitude. Fui controlando a comida, cortando um carboidrato aqui, um refrigerante ali e assim fui parando de engordar e iniciei uma perda e me entusiasmei. E numa pesquisa por receitas saudáveis na net (sim, a internet é uma poderosa ferramenta de coisas boas também) encontrei algo que mudou minha forma de ver e consumir alimentos: a estratégia low carb. Veja que não chamei de dieta, mas de estratégia, pois é uma forma de trabalhar o alimento em seu organismo de uma forma que ele produza menos o hormônio insulina (que injeta reservas em forma de gordura em nosso corpo) e fazendo com que nosso organismo busque nas nossas reservas a energia necessária para manter o motor funcionando. Não vou fazer aqui uma apologia à low carb. Isso deixo para cada um pesquisar e avaliar. Mas o que quero dizer é que a forma de alimentação é saudável, de utilização de alimentos naturais, sem adição de conservantes, de alimentos processados (que são ricos em carboidratos, conservantes e sal). E para que tudo funcione só precisa que você entenda o mecanismo e mude hábitos eliminando a quase totalidade de carboidratos e açúcares, que só nos fazem mal. Se eu não gosto mais de alimentos “ruins”? Amo um pão, arroz, macarronada. Isso não quer dizer que nunca mais irei comer. Faço isso até com certa frequência, mas sempre com parcimônia e retornando para a estratégia low carb imediatamente. E foi assim, sem grandes sacrifícios, comendo super bem e de forma correta e equilibrada que saí de 127kg em 2018 e cheguei aos 99,8 kg (sim, venci os três dígitos) em novembro de 2020. Foi muito tempo? Não, fiz de forma suave, sem tropeços, sem desistir no meio do caminho. E lembro que tivemos uma pandemia e que fui obrigado a abandonas a academia e mesmo as caminhadas ficaram de lado por um longo período e mesmo assim, quando foi liberado continuei nas caminhadas e eliminei 11kg de março até agora. Portanto, deixo aqui este depoimento em forma de incentivo para inspirar a todos que se atreverem a ler estas linhas a saber que sim, é possível mudar de vida, mesmo convivendo em uma casa em que os demais mantém os hábitos “normais” de alimentação. Basta querer. E peço sempre a Deus para que me mantenha com disposição e persistência em manter este novo estilo que escolhi de vida e que em 2021 nos liberte desta pandemia para que possa voltar a academia com segurança para ganhar musculatura, pois a idade cobra e as pelancas aparecem (hehehe). Fica só o alerta que uso como meu mantra: um obeso é um doente crônico e como no AA usam o lema que compartilho para nós, mas voltado à comida: só por hoje, não! E assim vamos vencendo...

domingo, 1 de novembro de 2020

Espermatozoide Careca, 20 anos

Para quem não sabe, além de publicitário e jornalista sou ator profissional desde os 15 anos, quando iniciei na atividade artística no grupo Presença, em Santa Maria, com o diretor Freire Junior, a quem devo muito pela minha formação teatral e intelectual.
Chegando a Porto Velho no ano de 1996 demorei a conhecer o pessoal do teatro, até que encontrei a Suely Rodrigues trabalhando no Sesc e eu no departamento de eventos da TV Rondônia. E sabem o mais engraçado de tudo isso? Ela, em uma das andanças da vida havia passado com sua peça teatral “Eu, Vocês e Eles” por Santa Maria. Ela me viu em cena e eu a vi, mas acabamos por não nos conhecer. Mas quis o destino que anos mais tarde nos reencontrássemos e, de pronto, lancei o desafio da montagem da peça “Confidências de um espermatozoide careca”. Demorei quase quatro anos a convencê-la na empreita, até que ela aceitou após uma longa conversa onde passei minhas ideias de cortes no texto, na ideia de um outro ator e ela veio com seu talento moldar e me ajudar a construir estas participações, a me corrigir em cena, a reunir a galera de apoio do espetáculo e eu, nos tempos de folga do trabalho na Amppla Propaganda ia atrás de apoios para poder colocar este espetáculo em cena. Aqui quero fazer um parêntese todos especial a Unimed, Unipec (hoje Uniron), Supermercado Gonçalves e ao Grupo Milla. Foram eles que primeiro acreditaram e investiram em um ator até então desconhecido e, assim, conseguimos levar o riso, a diversão, a reflexão e a cultura para mais de 15 mil pessoas nestes 20 anos de atuação em Porto Velho, Cacoal, Ji-Paraná, Rio Branco. Sim, no dia 1 de novembro de 2000 eu apresentava o espetáculo nos palcos rondonienses pela primeira vez, tomado de grande emoção, para uma platéia seleta de convidados, familiares, patrocinadores e imprensa. Se me perguntarem lembro-me de cada detalhe deste e do dia anterior (que foi o da montagem de cenário, ensaio geral, afinação de luz), do choro que me invadiu o peito quando o querido Gibassan levantou aquele pano pintado com os espermatozoides voadores. Quando a luz acendeu pela primeira vez. Como diz o Rei Roberto, foram muitas, mas muitas emoções e que me acompanham até hoje. Por isso, quero de público agradecer ao grupo Raízes do Porto na pessoa da Suely Rodrigues que foi quem primeiro acreditou. Sem ela eu não existiria provavelmente nos palcos rondonienses. E a todos que participaram deste projeto: os atores Ery Oliveira, Odinaldo Silva, Juraci Júnior, Jailton Viana. O pessoal de apoio: seu Osias, Arlete Vrena, Zaine Diniz, Kenny Frazão. E sem dúvida a todos os veículos de comunicação que sempre abriram as portas para divulgação, entrevistas, publicação de releases. Por fim, quero dizer que estava programada uma apresentação neste dia 1 de novembro, mas a pandemia nos impossibilitou de executar. Mas tenham certeza de que esta data será comemorada fora de época. Aliás, Porto Velho já está acostumada a comemorar seus eventos fora de época. Apenas entrei na brincadeira. Portanto, se tem uma palavra que resume tudo, é gratidão.